A noite passada, eu sonhei que tinha visto e conversado com o Profeta Gentileza. Aquele senhor tido como louco por pessoas ditas normais; barbudo, de cabelos compridos e de roupas leves. Estereótipo típico de alguém que não é desse mundo (será que ele era?). Não me importa. Ele escrevia mensagens de amor e de esperança em alguns muros da cidade do Rio de Janeiro. Ainda não sabia que tinha dado o seu nome, ou apelido, para alguns equipamentos de saúde mental em nossa cidade. Fizeram dele alguém conhecido. O que não significa pensar que teve amparo oficial para ter assegurado todos os dias um prato de comida. Não sei como morreu. Só sei e percebi que, na sua presença – ainda no sonho – ouvia mais do que falava, como convém a um bom aprendiz como eu, que deseja ser uma pessoa melhor a cada dia. Não me interessei em saber seu nome verdadeiro, o que pensava sobre a globalização, as redes sociais, a política externa brasileira. O que me enchia os olhos e a alma era poder ouvir as suas histórias, conselhos e seus pensamentos livres centrados no bem da humanidade. Impressionante: era dono de uma bravura mansa e dócil. Não tive dúvida de que estava diante de um belo ser humano que me iluminou e fez acender em mim a minha própria luz (a luz que existe em todo mundo). Pela manhã, quando despertei e fui para a mesa de café, ainda inebriado pela visão da noite anterior, tive muita dificuldade em seguir a dura rotina canina dos meus dias. Não aguentei. Chorei de saudade do Profeta Gentileza. Ao saber que o mundo ainda estava em guerras e que as pessoas continuavam indiferentes umas com as outras; que nos ônibus urbanos, os idosos, cansados pela vida, viajavam em pé em coletivos superlotados. No trânsito, a falta de educação imperava. A gentileza não fazia parte de nossos gestos diários, onde quer que estejamos. Estas mesmas pessoas continuavam plugadas na pressa, na buzina dos carros e na disputa por um novo emprego. Descobri com esse sonho que a vida pode ser diferente. Gentileza gera gentileza. Que podemos mudar. E como diz o poeta Gonzaguinha, outro profeta Gentileza, a vida pode ser bem melhor e será!
