Desde menino, ouvi brincadeiras sobre a terra natal da minha mãe, Caratinga: terra de gente brava, gente que não engole desaforo. Destacava-se a história do nosso Tio Doca, assassinado por adversários políticos durante as eleições de 1950, quando nossa democracia ainda engatinhava, e a disputa polarizava-se entre PSD e UDN.
De lá pra cá, nossa democracia se modernizou, mas mantivemos vestígios dessa selvageria tola e desrespeitosa que tornam as campanhas políticas, principalmente nas cidades do interior, uma guerra onde respingam estilhaços para todo lado. Adversários políticos desqualificam pessoas, obras e carreiras construídas durante toda uma vida, pelo simples fato de se posicionarem em lados políticos diferentes.
Esperançoso de participar e colaborar na construção de um processo político mais civilizado, tenho acompanhado os debates que se travam nas redes sociais em Juiz de Fora, em torno das campanhas para prefeito e vereador. Preocupa-me a forma como esse provincianismo passional se refletirá numa futura política de comunicação social na estrutura montada pelos vencedores. Como se pretende garantir uma estratégia ética e participativa num futuro governo, quando o que assistimos são comunicadores destemperados, que se desrespeitam e se utilizam da desqualificação pessoal e profissional de seus não alinhados?
Os marqueteiros de hoje serão os assessores de amanhã. O entendimento do que é, ou como deve ser, um processo de comunicação pública pode ser visto nas estratégias das campanhas e, fatalmente, se refletirá nos gabinetes da Prefeitura ao se proclamar um vitorioso. Quando uma assessoria de comunicação governamental se encarrega de servir a um dirigente e defender seus interesses, em detrimento dos interesses e direitos dos cidadãos, ofuscamos sua função principal que é garantir à população o acesso a informações corretas, desprovidas de interesses pessoais, de grupos ou partidos, mesmo que majoritários.
A vitória democrática não pressupõe o extermínio dos opositores, e cabe ao vencedor garantir o seu direito de expressão e o acesso de todos a informações verdadeiras e isentas. Ao contrário do que acontece durante o processo eleitoral, os serviços de comunicação governamentais não existem para construir a imagem de seus chefes, mas para garantir o direito dos cidadãos a informações e, assim, efetivar o processo legítimo do controle social.
Cabe a nós avaliarmos sua forma de conduzir essas campanhas; sua reação frente aos adversários e às críticas; sua visão do processo de comunicação como um direito do cidadão; e, principalmente, a forma como os candidatos enxergam e orientam seus comunicadores.
