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Em harmonia com o Cristo

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Feito rio percorrendo o próprio leito rumo ao desaguadouro, nós vivemos a vida, sem ver além da margem. Avançamos sinais, estacionamos em vagas especiais, furamos a fila do cinema e do supermercado. Mergulhados no lodaçal do egoísmo, estamos exclusivamente atentos aos mesquinhos interesses de todas as ordens. Estimamos aqueles que gostam das mesmas coisas, os que leem a mesma cartilha. Nossa devoção é mais calorosa para os que adotam nosso modo de ver, pensar e agir. Se avaliado pelo aspecto animal da raça humana, nada a incriminar. Somos a manada vagueando sem causa maior. Porém, nos vendo como realmente somos, como filhos de Deus, é hora de pensar. Nossos costumes são verdadeiramente os mais nobres? O que sonhamos realmente projeta um futuro de equilíbrio sereno? O cotidiano da vida passa pelo crivo do bom senso?

Bom senso é um traço de sabedoria e raciocínio razoável que nos proporciona condições favoráveis para um posicionamento coerente no seio social, sabendo fazer boas escolhas e julgamentos equilibrados, o que é muito difícil neste mundo em que vivemos rodeados de glórias materiais e distrações maravilhosamente passageiras nos tirando a atenção. Hipócrates (460 a C-360 a C) afirmava: A vida é breve; a arte é longa; a ocasião, fugidia; a experiência, enganosa; o julgamento, difícil. Isso nos leva a concluir que desde sempre, no sentido figurado do sempre, viver e progredir são dois verbos de difícil conjugação quando estamos olhando somente para nós. E se olharmos para os lados, para o mais além da esquina, elevando a cabeça acima do semáforo, pensando nos seres que nos rodeiam nas calçadas e ruas como filhos de Deus, refletimos quantos séculos a ciência divina trabalhou no aperfeiçoamento planetário e humano? Na contramão da natureza, vivemos exclusivamente para nós mesmos. Acreditamos e agimos como insubstituíveis, os únicos responsáveis pelo mundo, cheios de tolas vaidades que resultam em crises de ansiedade por estarmos repletos de futuro, pois, mal terminamos uma tarefa, já pensamos na outra. Não nos damos ao descanso de saborear as alegrias realizadoras. Quando não, mergulhamos profundos na depressão por estarmos carregados de passado, não sentindo o perfume da flor posta à nossa frente. Pensamos somente nas rosas dos jardins da velha casa que não existe mais.

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Allan Kardec ensina que o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição são, para a alma, ervas venenosas das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes, e que têm como contraveneno a caridade e a humildade. Isso torna de suma importância esmagar a concha em que tais sentimentos se alojam em nossas almas, para dedicarmos amizade e respeito aos companheiros, não pela concordância pessoal, e sim por fidelidade às ideias valorizadoras do bem comum, ação imprescindível no aperfeiçoamento do modo de ver e sentir. Assim agindo, aprenderemos que o melhor raramente é aquele que concorda conosco, mas é sempre aquele que concorda com Jesus, colaborando com Ele, o Cristo de Deus, para a melhoria da vida dentro e fora de nossos corações.

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