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‘Canta a tua aldeia e serás universal’ (Para Dnar)

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Ao visitar a exposição de Dnar Rocha na galeria de arte dos Correios, fui tomado pela sensação de universalidade e permanência de que fala esse pensamento atribuído ao russo Leon Tolstoi. Nascido em Tabuleiro e juiz-forano de coração, Dnar e sua arte são presenças permanentes e fundamentais na cultura local. O tempo, como filtro impiedoso da história, é aliado e parceiro da obra deste artista simbólico da cidade, que, entre tantas manifestações culturais, tem na pintura, especialmente, um legado riquíssimo, com identidade e qualidade que vai muito além do que se conhece sobre a arte produzida em muitas das grandes cidades brasileiras.

O tempo passa, e Dnar permanece e se transforma com os anos em referencial poético que se destaca diante dos nossos olhos. Sua pintura tem o poder do fascínio, do deleite, do arrebatamento e provoca no espectador profundo sentimento de aconchego, sentimento de identidade e espelho, como parte de suas vidas, parte do seu universo visual de referência.

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Avesso ao ofício de ensinar pintura, Dnar é, por outro lado, um mestre na educação do olhar, elevou e determinou parâmetros para quem convive com sua obra. Para os artistas, falo por mim e por muitos, ele é referencial permanente na arte de Juiz de Fora. Engajado na sua luta cotidiana com o pincel, jamais abdicou da sua liberdade criadora, das suas pinceladas fortes, negras, que contornam cores vibrantes e impetuosas. Se posicionava diante da tela como um artista criador e provocativo, tinha consciência do espaço que havia para si no contexto de uma arte em constante mutação. Sem abdicar de suas convicções, procurou se posicionar e ocupar com esmero e inteligência o seu espaço com uma obra de caráter modernista, mas que extrapola essa tendência e consegue estabelecer um forte diálogo com a arte contemporânea.

Agregou à história da arte uma forma totalmente inovadora na aplicação do branco, que na sua pintura não se comporta apenas como cor, mas como algo que vai além e que não conseguimos determinar, sendo elemento de uma solidez e permanência extraordinárias.

O branco é o branco que se coloca dentro da pintura, como elemento poético “irredutível”, que se comunica com o resto da composição e das cores, mas permanece ali, autônomo, provocador, em permanente diálogo tenso e harmônico ao mesmo tempo, por mais paradoxal que isso possa parecer. E é nesse paradoxo que residem sua grandeza e a ousadia de uma obra que se posiciona, dialoga e desafia o espectador a participar do seu jogo. Não é um processo imediato, é preciso aprender com Dnar a lição que sua pintura propõe. Dividir e compreender seu embate se estabelece com a convivência, a partir da “troca de olhares” entre pintura e espectador e vice-versa, assim percebemos a magnitude de sua abrangência e inovação.

Com o tempo, Dnar é implacável em sua inteligência criadora e, com isso, reservou para si e em torno de si o espaço sagrado do grande artista. Juiz de Fora leva consigo para sempre essa marca, mais uma identidade poética que a caracteriza: a pintura de Dnar Rocha.

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