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Desoneração do transporte

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No Brasil, o povo já não aceita mais engolir calado certas situações que lhe são impostas. O aumento das tarifas do transporte público, aos olhos dos usuários, é medida antipática de difícil aceitação, sobretudo porque mexe com os bolsos já quase vazios de quem depende do transporte para atender às suas necessidades diárias, isto sem contar que o aumento provoca redução de demanda – cada vez mais gente se deslocando a pé por não ter dinheiro para pagar as passagens.

As tarifas sobem na razão direta do aumento dos custos, mas a passagem mais cara é quase sempre desastrosa para o transportador. O aumento, no entanto, é necessário para manter o equilíbrio financeiro de seu empreendimento. Dependendo das circunstâncias, a medida pode ser um desastre, considerando que tarifas mais altas provocam queda do IPK- índice de passageiros (transportados) por quilômetro, ou seja, queda da demanda por transporte.

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As violentas manifestações contrárias aos aumentos das tarifas do transporte coletivo nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e outras podem até ser justas, mas servem de pano de fundo a outras pretensões e não são, obviamente, bons exemplos de reivindicações. Elas refletem o inconformismo de toda uma situação que está entalada no âmago do povo brasileiro, que, calado, tem consentido em desatinos políticos de toda ordem. Agora, parece que a caldeira está prestes a explodir, de forma irreversível, em todo o país, e o mote é o passe livre no transporte público.

O Governo, percebendo o problema, tratou logo de desonerar as tarifas do transporte público, exatamente como já se faz há anos em países europeus. A adoção de tarifas mais justas, no entanto, tem que passar pela revisão e aperfeiçoamento das gratuidades, pela integração temporal tarifária nos sistemas de transporte público e pela redução da carga tributária das empresas transportadoras; medidas que, em curto prazo, possibilitam a redução do valor das tarifas, beneficiando diretamente milhões de cidadãos brasileiros que não possuem condições financeiras para custear o transporte coletivo. Segundo estudos recentes da Associação Nacional de Transportes Públicos e do Ministério das Cidades, diariamente, 35% dos brasileiros se deslocam a pé para o trabalho, casa, escola e lazer.

Desonerar o transporte público coletivo é uma forma de subsidiar as tarifas. É medida que tende a reequilibrar o sistema, possibilitando recuperar tanto o setor quanto o bolso do usuário que depende do transporte público no seu dia a dia.

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