Quando, em algum momento, alguém for se dedicar a escrever a história da educação em Juiz de Fora, sobre os nossos mestres e os centenas de templos de ensino, tenho certeza de que um capítulo será destinado a uma das mais tradicionais escolas da cidade, responsável pela formação de milhares de estudantes: o extinto Colégio Luis Gama que, em 2012, chega aos 50 anos de fundação.
Embora situado na Zona Norte, precisamente no Bairro Fábrica, para ele se dirigiam alunos dos mais diversos e distantes lugares da cidade, dada a qualidade do ensino ali aplicado.
Sua origem reside no sonho de um visionário economista da extinta Rede Ferroviária Federal S.A., morador do Fábrica, Sebastião Santana, que teve a iniciativa de fundar em seu próprio bairro, em 1962, o Colégio Luis Gama. Na ocasião, ocupou um pequeno prédio localizado à Rua Eduardo Weiss 103. A este prédio, outro veio somar-se, disponibilizando 25 salas de aula e funcionando nos turnos da manhã e da noite.
No princípio, a escola oferecia apenas o primeiro ano do antigo curso ginasial. Em 1963, passaram a funcionar salas de segundo e terceiro ano. A partir de 1964, o ciclo foi completado, quando passou a atender também o quarto ano.
Foi neste último ano que um jovem professor de história, OSPB e educação moral e cívica, Carlos Alberto Barra Portes, então com 23 anos, começava ali a lecionar. No ano seguinte, assumia a sua direção, tornando-se o mais jovem diretor de uma instituição de ensino da cidade. Em 1968, Carlos Alberto tornava-se o diretor pedagógico e presidente da entidade mantenedora: a Sociedade para Expansão do Ensino Secundário. Seu irmão, José Carlos Barra Portes, era o diretor administrativo.
A partir de 1970, a escola sofreu grande expansão, com a implantação do antigo curso científico (2º grau ou ensino médio) e dos cursos profissionalizantes. Centenas de juiz-foranos ali se formaram em enfermagem, contabilidade, informática e magistério.
Foi um tempo de grande efervescência nos procedimentos de atração de novos alunos. A escola viveu importante afirmação no seu setor. Em uma inédita parceria com Prefeitura de Juiz de Fora, Rede Ferroviária Federal e Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o colégio passou a disponibilizar bolsas de estudos, o que permitiu que milhares de jovens frequentassem suas salas de aulas.
A disciplina de educação física era aplicada em dois lugares: no campo do Amambaí e em um terreno na Rua Maria Luiza Tostes 95. Gincanas, torneios esportivos entre as classes, artes marciais e festivais de música popular eram eventos muito concorridos e que mobilizavam todos os alunos e suas famílias. As atividades da escola encerraram-se em 1995.
