As recentes declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, virtualmente lançando a candidatura de Aécio Neves à presidência da República e dando início à disputa pelo Planalto com dois anos de antecedência, diminuem algumas das incógnitas a respeito do pleito geral de 2014. Dilma Rousseff deve buscar a reeleição sem contar com o apoio efetivo do ex-presidente Lula: longe do controle da máquina estatal e da intensa cobertura da mídia, é fato que Lula perdeu muito do poder que foi de grande valia para Dilma em 2010. No mesmo sentido, é bem provável que surjam ainda novos personagens de destaque nesse enredo, como o governador pernambucano, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva. De toda forma, ainda são muitas as variáveis em aberto para que se possam fazer previsões seguras.
Algumas certezas, entretanto, podem ser detectadas em meio a um contexto tão incerto. O PSDB, através de seu novo presidenciável, deve tentar um esforço concentrado no sentido de tornar o senador Aécio Neves conhecido nacionalmente; tal movimento já foi colocado em prática no pleito de 2012, quando a presença do tucano mineiro se multiplicou pelos palanques de grandes cidades de todo o Brasil.
O raciocínio estratégico que faz sentido na escala nacional, pois busca apresentar o futuro candidato ao eleitorado brasileiro, deverá ter reflexos significativos em Minas Gerais. Partindo do pressuposto de que já é bem conhecido e avaliado em seu estado natal, Aécio deve investir pouco em sua campanha por aqui. Dessa forma, a campanha para a escolha do próximo governador mineiro pouco contará com a presença de Aécio e, muito provavelmente, deverá mesmo ser estruturada como movimento de apoio ao pleito presidencial tucano.
Inverte-se, assim, a dinâmica que obteve grande sucesso em 2010, quando o estreante Antonio Anastasia foi francamente beneficiado pela associação feita entre sua imagem e a popularidade de Aécio Neves no estado. Para 2014, o candidato a governador do campo governista é quem deverá percorrer todo o estado de Minas, levando consigo não só sua própria campanha mas também a do presidenciável tucano. Dessa forma, o nome a ser apoiado pelo PSDB mineiro na disputa pelo Palácio da Liberdade deve ser, já de antemão, popular e articulado, além de fiel e dedicado o suficiente para garantir a vitória do candidato tucano no segundo maior colégio eleitoral do país.
Uma vez que já começam a surgir as primeiras especulações em torno de nomes de possíveis candidatos, é bom lembrar que há condicionantes estratégicos que devem falar mais alto em 2014: o candidato indicado pelo governo à sucessão de Antonio Anastasia deve ser, necessariamente, o maior cabo eleitoral de Minas, e não alguém que necessite de apoio para se eleger. Qualquer postulante que não apresente esse perfil pode considerar suas chances de indicação em 2014 bastante remotas. Isso, claro, se partirmos do pressuposto de que o PSDB deseja mesmo manter o poder em Minas, ao mesmo tempo que tenta retomar o Governo federal.
