Quem é o Menino que celebramos no Natal? O que foi dele? Qual a sua ventura? Humanamente falando, a trajetória do Menino foi a de um fracassado. E em todos os sentidos. Nasceu pobre e marginalizado; morreu como nasceu, desprezado e quase só. É que as silhuetas da cruz já se mostravam na manjedoura. A sua vida não foi fácil. Incompreensões, maledicências, insucessos, perseguições e fadigas não faltaram.
Ele é o "Pobre de Nazaré", como diria o Frei Larrañaga. Na verdade, ele é o Rico que se fez Pobre. E, na extrema pobreza manifestou a forma mais rica de amar. Em belas palavras, o Papa Bento XVI expressou-o muito bem: "Cristo ocupou o último lugar no mundo – a cruz – e, precisamente com essa humildade radical, redimiu-nos e ajuda-nos sem cessar" (Encíclica "Deus caritas est", n. 35).
O amor, tenho aprendido, não é determinado pelo contentamento humano nem pela complacência nas realizações humanas, por mais nobres que sejam. Pode-se amar – e talvez só assim o amor aconteça perfeitamente – na extrema penúria, no sentimento de fracasso e na ânsia da solidão. Isso porque o amor é algo de outra ordem. De uma ordem que supera o entendimento das coisas sublunares.
Que amor é crível? O amor que se faz pobre e é capaz de suportar as dores próprias e alheias com confiança e renúncia. O amor que enfrenta derrotas sem perder a força de continuar a caminhada, mesmo que às cegas. O amor que, através de pequenos gestos, difunde o acolhimento, intui a necessidade alheia e se faz próximo.
Ama-se doando-se. E não se pode amar sem se doar. E doar-se é doído. Desse modo, compreendi que não é preciso estar "feliz" ou contente com as próprias realizações para amar. Muito ao contrário. A doação acontece no sofrimento, e, acima de tudo, no sofrimento. Na fadiga, na doença, no desprezo, na exclusão, na provação… É sobretudo aí que o amor aparece. Ele não combina muito bem com o sentimento de altivez, de brio próprio e de complacência consigo mesmo.
O amor, de fato, é de outra ordem. São Paulo parece ter tentado expressá-lo, mas apenas elencou as suas manifestações sublimes, garantindo, contudo, que o amor é maior (cf. ICor 13, 1-13). É o amor que se manifestou corporalmente na manjedoura e que se doou até a morte de cruz que constrói a Igreja, não outra coisa. E ele é vitorioso, sempre!
Feliz Natal a todos!
