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Dilma fará reformas necessárias?

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Em recente entrevista na Rede Viva, o senador Aécio Neves – com a vitória de Serra na convenção do PSDB em São Paulo para ser o candidato a prefeito, Aécio torna-se o nome da oposição para 2014 – contou que um dos momentos de maior emoção em sua vida foi lá nos anos 1980, quando acompanhava seu avô, Tancredo, na peregrinação em busca de votos no Colégio Eleitoral. Uma das paradas da caravana peemedebista foi em Belém, no Pará, às vésperas da festa do Círio de Nazaré. Tancredo desfilou em carro aberto e foi ovacionado, segundo o senador, por uma grande multidão. A manifestação popular numa terra tão distante impressionou Aécio que perguntou ao seu avô como iria administrar tanta popularidade e apoio. Vou gastá-lo em três meses, ensinou o político mineiro.

Como morreu antes de assumir, é difícil saber se Tancredo teria feito mesmo as profundas reformas que, como deixou subentendido, lhe fariam perder toda a popularidade que conquistou na luta pela redemocratização. O fato aí é que, na resposta ao neto, ele deixou claro que as realizações de reformas necessárias, no Brasil, custarão, a quem se dispuser a realizá-las, desgaste político e popular. E isso só se dispõe a fazer quem sabe exercer a liderança que o poder naturalmente concede e quem se preocupa com o país, não com o palanque das próximas eleições.

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Ao que parece, vamos perdendo outra oportunidade de realizar as reformas necessárias para que tenhamos um desenvolvimento realmente sustentável. Temos crescido? Sim, temos apresentado desenvolvimento econômico nos últimos anos, mas a taxas inferiores à nossa capacidade e às de outros países chamados emergentes. Pior: nosso desenvolvimento social não acompanha o econômico. Sem mudanças profundas em algumas áreas, como trabalhista, tributária, política, previdenciária e outras, não chegaremos a lugar algum. Progredimos no setor primário e temos regredido nos demais. Nossa desindustrialização é uma realidade. Somos hoje sinodependentes. Se a China gripar, teremos, certamente, uma pneumonia séria, dupla.

É hora de a presidente Dilma, tão brava, tão resoluta, agir. Aliás, a hora está passando. Temos uma eleição agora, um ano pré-eleitoral a seguir e um novo ano eleitoral depois, agravado pela realização, aqui, de duas copas, a das Confederações, ano que vem, e a do Mundo, em 2014. Se o Congresso é quase inoperante em situação normal, imaginem com copas e eleições. Se ainda tem as convicções da juventude, de que o país precisa mudar, Dilma tem que entender que a eventual perda de prestígio e de, quem sabe, uma eleição, podem, perfeitamente, ser recompensados por um lugar de honra na história do país. Precisa entender também que agradar a todos para manter uma base grande de apoio no Congresso não significa apoio na votação. Apoio político é como medicamento. É preciso dosar. Dosagem alta ou dosagem baixa matam. A alta dosagem de apoio está matando o governo dela.

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