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À espera de um menino

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Vivemos o tempo da idolatria do presente, da sacralização do agora. Nada de passado para nos referenciar nem futuro no qual devamos confiar. A espera ansiosa e curtida por algo desejado, antes cunhada como o melhor da festa, já não faz mais tanto sentido assim. Desse modo, neste nosso tempo apressado demais, torna-se um grande desafio celebrar e viver o Advento como preparação paciente e cuidadosa para a chegada de um Menino.

Estatísticas recentes dizem que o número de cesáreas supera, pela primeira vez no Brasil, o número de partos normais. Será que podemos constatar que perdemos a paciência de esperar os nascimentos como acontecimentos que se dão em um tempo naturalmente devido e previsto? Queremos que tudo seja rápido, indolor, asséptico, sem surpresas, sem riscos? A lógica do sucesso programado e conquistado pelo adequado uso da técnica, com todas as implicações positivas que ela traz, aponta, porém, para uma perspectiva não tão boa quando nos afasta da humanização da vida, da oportunidade de dedicarmos ao outro nosso tempo e nossas habilidades.

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Andamos também tão distraídos pelo excesso de sons e imagens que se misturam e nos confundem que já não percebemos os sinais que nos indicam o novo que se aproxima. Por isso não tecemos mais o manto, não preparamos a canja que aquece e alimenta o corpo e o coração, não respeitamos nenhum resguardo. O Menino chega e nem percebemos, porque não nos preparamos para recebê-lo, inebriados pelas luzes multicores, pelos inúmeros afazeres, pelos presentes cada vez mais sofisticados e chamativos, pelos enfeites que se multiplicam, pelo barulho ensurdecedor das cidades em festa mercadológica.

A liturgia cristã católica nos propõe o Advento como tempo de calma e meditativa espera para que não nos deixemos enganar pelas luzes que ofuscam a estrela que nos conduz ao Menino. Será que estamos ainda atentos aos sinais da vida que floresce, apesar de tudo? Há uma música que se costuma cantar nessa época: Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais… Será?

Somente a fé que nos sustenta e anima é capaz de afirmar que, apesar dos pesares e em meio a tantos disparates, Jesus continua nascendo na mesma pequena manjedoura iluminada pela estrela de Belém, entre panos, anjos, magos e animais. Lá está a nos esperar para a festa do Amor que não se acaba e para a verdadeira partilha de presentes que não serão deixados de lado pelo fastio de quem os recebe. É lá também que nos encontraremos com a Esperança que nos levanta das depressões e marasmos e nos move na direção de dias mais fecundos e felizes.

Preparemo-nos para isto!

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