A partir da década de 1930, o modal de transporte ferroviário brasileiro começou a entrar em colapso. Os motivos foram vários. Em 1952, o presidente Getúlio Vargas tentou investir na infraestrutura do Brasil através da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, mas sem sucesso. A Central do Brasil seria beneficiada. No governo JK, acentuou-se a sua falência, pois, no seu plano de metas, não constavam investimentos nessa área. Nos anos seguintes, continuou a derrocada. Em 1973, com a primeira crise do petróleo, o Governo resolveu investir em transporte ferroviário. Foi criada a Engefer, para gerenciar o trecho ferroviário conhecido como Triângulo Econômico RJ/SP/BH.
A ferrovia de mil dias levou 15 anos para ser construída, depois de milhões e milhões de dólares em investimentos e bem abaixo do que se previa no projeto original. Essa ferrovia, hoje parcialmente utilizada, veio a privilegiar apenas os exportadores de commodities de minério de ferro e outras cargas semelhantes. Integração nacional, nada. Recentemente, foi postado no Youtube um vídeo sobre um mirabolante plano de integração ferroviária, aliás, muito bem planejado e elaborado pela estatal Valec. É o mundo do faz de conta, mas, no mundo do real, as cidades grandes tornaram-se megalópoles; as médias, como Juiz de Fora, cidades grandes. O caos na mobilidade urbana, que já existia nas primeiras, piorou; nas demais, passou a existir. Os projetos de construção de novas linhas de metrô e de veículos leves sobre trilhos – os VLTs – estão só no imaginário dos administradores; melhorias no transporte de passageiros nos subúrbios das grandes cidades, só em acidentes.
Se até neste restinho de século ou mesmo no decorrer do próximo, a integração ferroviária nacional de cargas e passageiros se concretizar, onde estiver, baterei palmas, deixarei de ser cético e passarei a admirar o transporte sobre trilhos neste país. Só espero que os cientistas até lá, não tenham inventado outro método mais criativo para transportar a matéria. Se assim for, o ciclo por aqui começará tudo de novo.
