Considerada por muitos países o principal obstáculo para o desenvolvimento do Estado e para a busca por um sistema eficaz, a corrupção é hoje o maior de todos os problemas da sociedade. O pior de tudo é que não adianta criar mais leis ou endurecer as já existentes. Ela é um mal que afeta toda a sociedade, arruína a prestação dos serviços públicos e o desenvolvimento social e econômico dos países, compromete a vida das atuais e das próximas gerações.
Acredito que uma forma de solucionar esse grave problema seria a extinção gradativa do papel-moeda. Imaginem se não pudéssemos mais utilizar dinheiro vivo para compras com valores superiores a R$ 600 (um salário mínimo). Todas as compras teriam de ser feitas por transferência bancária, cartão de crédito ou débito.
O projeto deveria ser implantado como uma política em médio prazo. Hoje, a maioria dos cidadãos brasileiros possui conta em banco e a maioria das cidades tem pelo menos uma agência bancária. Qual comércio vende produtos com preços superiores a R$600 e não conta com sistema de informação, cartão etc? O que aconteceria com o país se o cidadão e as empresas não pudessem depositar ou sacar valores superiores a R$600/dia, a não ser por transferência bancária?
Imaginem o tombo que daríamos na sonegação de impostos. Como poderia haver compra ou venda de um produto com preço diferente do que será pago por transferência ou cartão? Como uma empresa sonegaria impostos se será obrigada a registrar todo seu movimento em seu fluxo de caixa? Sem o papel-moeda, como haveria a lavagem de dinheiro sujo, obtido com o narcotráfico ou com a corrupção?
O papel-moeda está se tornando obsoleto à medida que novas fontes de pagamento se consolidam no mercado. Ele é frágil, necessita de constantes demandas de reposição, deteriora-se com rapidez, é de difícil localização, facilitando o tráfico, o contrabando e a sonegação de impostos. E por que não adaptar as tecnologias existentes para reduzir ainda mais sua emissão? Com essa atitude, contribuiríamos também com a segurança pública, pois reduzindo o dinheiro que circula nos bancos e na sociedade, também reduziríamos os roubos.
Quando o dinheiro coletivo se perde, deixa-se de atender, com ele, uma grande quantidade de necessidades sociais. Impedindo ou dificultando que haja formas de manter atos corruptos, estaremos investindo em nosso futuro e em uma sociedade saudável, onde todos os cidadãos têm seus direitos garantidos.
