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Natal: convite à fé

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O fato de Deus ter assumido a natureza humana para todos salvar nos fala de uma realidade histórica e, ao mesmo tempo, transcendente. Em Cristo, Deus entra definitivamente em nossa história, e a melhor resposta à esta revelação definitiva de Deus é o que a Bíblia chama de obediência da fé (Rom 1,5; 16,26) com a qual o homem se entrega livre e totalmente a Deus.

Quando observa a beleza e o mistério da criação, quando descobre as admiráveis leis da natureza e quando escuta a voz de sua própria consciência, o homem pode atingir a certeza da existência de Deus, que é causa e fim de tudo.

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Como adesão pessoal a Deus e assentimento à verdade que ele revelou, a fé cristã é diferente da fé em uma pessoa humana. É justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer absolutamente no que ele diz. Seria vão e falso pôr tal fé em uma criatura. Sem dúvida, as verdades reveladas por Deus podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas, mas a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural (Santo Tomás de Aquino). Assim, considerando que a graça da fé abre os olhos do coração (Efésios 1,18), um notável cardeal do século XIX pôde concluir que dez mil dificuldades não fazem uma única dúvida (cardeal Newman).

Sabemos que a grandiosa festa do Natal é sempre marcada por admiráveis expressões de amor, de entusiasmo e de fé que se manifestam através dos presentes natalinos, das canções, das luzes, das artes, etc. Tudo isso é legítimo quando reflete aquele amor profundo de Deus que se fez homem. Na sociedade dos consumos, em que se busca a alegria nas coisas, devemos testemunhar a verdade de que somente Deus pode dar ao homem uma alegria perene, porque não bastam o bem-estar físico e o sucesso econômico. Então, é importante transmitir, sobretudo para as crianças, que a maior e fundamental alegria que o Natal oferece não nasce da troca dos divertidos e lindos presentes e nem do consumo dos deliciosos pratos natalinos, mas nasce é do amor de Deus que vem ao nosso encontro.

Por isso, ao festejarmos o Natal, não nos esqueçamos das orações, porque, sem Deus, o Natal perde o seu essencial e insubstituível sentido de transcendência. O Natal é um convite a redescobrir os valores sobrenaturais e eternos que Cristo anuncia e que se harmonizam perfeitamente com os autênticos valores humanos e temporais. Então, pensando na eternidade que Cristo promete aos que creem com coração sincero, podemos sentir que a eternidade já alegra o tempo. É que a fé nos faz degustar, como por antecipação, a alegria e a luz da visão beatífica que é a contemplação de Deus em sua glória celeste, meta da caminhada do homem na terra. A fé já é, portanto, o começo da vida eterna!

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