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O gigante não acordou

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O gigante acordou, olhou para o relógio, viu que era muito cedo para trabalhar e voltou a dormir. Em suma, para conseguirmos uma democracia em que todos sejam respeitados individualmente, levaremos muito tempo, e o caminho será longo. Para termos uma exata noção da história de nossa democracia, estamos ainda no seu 28º ano. E de novo, infelizmente, estamos vivendo sob uma série de imposições feitas pelo Governo federal.

Falar que o palácio ouviu as vozes das ruas é uma falácia. As ruas gritaram por mais saúde, educação e melhorias nos serviços públicos! Não só pelos R$ 0,20 de aumento no preço do transporte urbano em SP. Enquanto a praça se manifestava calorosamente, os membros do Governo usavam jatinhos da FAB para compromissos particulares, e a presidente recusava uma suíte de 80m² em um hotel de luxo na África do Sul. Haja mobilidade urbana!

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Alguns dias após as manifestações, a presidente fez uma reunião emergencial com o Lula e com o marqueteiro do Governo, João Santana. Surgiram, então (sem nenhum profissional das áreas), os programas Mais médicos e Mais educação, que, rapidamente, foram divulgados nas emissoras de TV. Quais foram os custos destas propagandas? Por que não investiram o dinheiro gasto com elas, que foi muito, diretamente ao fim?

As grandes manifestações pegaram o Governo de surpresa devido à propagação em massa nas redes sociais. O Governo convidou, então, os movimentos sociais que deram o start nas manifestações: o MPL – Movimento Passe Livre, o Fora do Eixo – Mídia Ninja, o Juntos.org e o Black Blocs tupiniquim. São os mesmos que agora manifestam sozinhos e como vândalos. Tais movimentos são bancados e mimados pelo Governo federal. Eles sobrevivem com a nossa grana! Subentende-se que a presidente dirige a República com propaganda, marketing e regalos.

O que ficou claro nestas manifestações é que o Governo sentiu o golpe, e está perdido no seu plano de governar o país durante décadas, igual a uma ditadura. A voz democrática deverá dar um basta nestes que criaram o mensalão e promover a alternância do poder em 2014. Não podemos deixar que um inquilino se perpetue no palácio, igual às aristocracias monárquicas!

O filósofo Norberto Bobbio (1909 – 2004) definiu muito bem o estudo que o historiador renascentista Guicciardini fez sobre os livros de Tucídides (460 a.C. – 400 a.C.) sobre a Guerra de Peloponeso: vista do palácio, a praça é o lugar da liberdade licenciosa; visto da praça, o palácio é o lugar do poder arbitrário. Se cai a praça, o palácio também é destinado a cair.

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O gigante adormece desde a Inconfidência Mineira, e eu torço para que ele acorde! Afinal, como Norberto Bobbio inteligentemente falou, cada vez sabemos menos.

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