Os aeroportos de Juiz de Fora são o Galeão e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Por longos anos, cansei de ouvir essa real e verídica afirmativa. Primeiro, porque o Aeroporto da Serrinha não pode garantir aos executivos que desembarcam ou embarcam em nosso município que eles chegarão a tempo para suas reuniões. Segundo, porque esse acanhado aeroporto, para um município do porte e da importância de Juiz de Fora, continua a amedrontar os pilotos de empresas aéreas que têm que fazer manobras difíceis e perigosas para conseguir pousar e decolar aqui, no caso de condições meteorológicas indesejadas.
A Azul/Trip quer retirar os voos comerciais de Goianá e executá-los só através do Aeroporto da Serrinha. Porém, com um detalhe: no lugar de Guarulhos, passarão a pousar no Aeroporto Internacional de Campinas. A estratégia comercial é a mesma que a TAM seguiu quando comprou a Pantanal: o objetivo é o aproveitamento dos slots de Guarulhos para usá-los em percursos mais rentáveis como São Paulo/Rio de Janeiro ou São Paulo/Brasília, por exemplo, usando aviões maiores para 125 ou 170 passageiros. Além dos prejuízos para Juiz de Fora, toda a Zona da Mata será também totalmente prejudicada.
A estratégia comercial é válida. O objetivo é o lucro máximo. A verdade é que todos os prefeitos e políticos da Zona da Mata, incluindo Juiz de Fora, deverão procurar o governador Anastasia e o vice-presidente da República, Michel Temer, para que essa estratégia econômica da Azul Linhas Aéreas não se torne mais um obstáculo ao desenvolvimento de uma área mineira que, por mais de 30 anos, vem sendo estagnada por falta de empenho de seus políticos. Não tenho dúvida em afirmar que, se isso vier de fato a acontecer, a capital da Zona da Mata irá viver mais um autêntico desastre aéreo.
