Nos assusta toda esta delinquência precoce a que assistimos. Para a minha geração, é cada vez mais surpreendente ver nos noticiários pessoas tão novas envolvidas em crimes tão bárbaros. Nossas crianças e nossos adolescentes possuem hoje um volume de informações (e de oportunidades de estudo) infinitamente maior do aquele que eu possuía na mesma idade. Confesso que um garoto de 13 anos hoje é bem mais informado do que eu aos 18. Mas o que fazer? Como fazer? Que resultado esperar?
A princípio, considerando também o conhecimento precoce e as oportunidades de tê-lo, proponho um choque de realidade. O susto que você recebe ao deparar-se com um menor que irá assaltá-lo (quando não ocorre latrocínio) deveria ser repassado a ele em forma de perspectivas do futuro. Veja bem: reúna um grupo de jovens infratores em uma sala. Escolha especialistas para palestras, distribua textos e imagens em vídeo onde é apresentado o atual sistema prisional brasileiro. Mostre o cotidiano dos presídios, dos centros socioeducativos, dos hospitais psiquiátricos, das cracolândias… Mas mostre também imagens de sepulturas de jovens que morreram tão cedo vitimados pelo caminho que escolheram trilhar.
Depois, virá a parte prática. Uma visita aos locais mostrados anteriormente. Faça com que eles trilhem pelos corredores de uma penitenciária, que vejam com os próprios olhos o problema da superlotação. Identifique presos que possam falar a eles sobre o que fizeram para estarem ali condenados (e como tudo começou). A seguir, visitarão os centros socioeducativos onde encontrarão jovens de sua geração já aprisionados. Depois, visitarão hospitais de tratamento de dependentes químicos. Por fim, irão aos cemitérios onde verão em algumas tumbas a idade dos que foram vitimados pelo crime.
Você está louco, Vanderlei? Isto é um constrangimento para um adolescente! – algumas vozes poderiam me alertar. Será mesmo? – insisto eu. Tudo o que falei pode ser visto por eles na TV, nos filmes, nas revistas, nos jornais e na internet. Nada lhes surpreende. Surpresa mesmo é quando lhes são massificadas as informações por especialistas e, fundamentalmente, quando visitam estes locais onde poderão, inclusive, encontrar colegas do seu bairro. Finalizando, retornando à sala com aquele grupo de jovens infratores, alerte-os sobre o que lhes reserva o futuro a partir de tudo o que viram. Mas mostre também – e em especial – o testemunho de jovens que resolveram fazer diferente. Da mesma idade e que abraçaram as mesmas oportunidades que eles têm. Do mesmo convívio social. Mostre o que lhes é oferecido em trabalho, aceleração do estudo, oficinas de arte e espaços culturais e de práticas esportivas. Choque de realidade já.
