Entre 1º de janeiro e 8 de abril de 2013, Juiz de Fora contabilizou a triste estatística de 50 assassinatos, e estes números representam a metade das mortes violentas ocorridas durante todo o ano de 2012. Atônita e indignada, a cidade precisa reagir a este estado de coisas e dar um basta a esta onda de violência que pode comprometer os esforços de crescimento da cidade-polo da Zona da Mata.
Além de catapultar os índices de violência, estes números, de pouco mais de três meses iniciais do ano, revelam a necessidade de medidas eficazes e urgentes. As manchetes da Tribuna atestam a gravidade da situação vivenciada por nossa comunidade. Juiz de Fora é, historicamente, uma cidade de paz, que preserva a boa convivência e luta pela plena cidadania, mas o número de assassinatos em 2013 preocupa, pois mostra um descompasso com nossa tradição de cidade tranquila.
Entidades responsáveis como a OAB-JF, a UFJF, a Câmara Municipal e a Prefeitura, atentas ao agravamento do quadro da violência na cidade, articularam um concorrido seminário para traçar um diagnóstico do que está ocorrendo em Juiz de Fora e buscam alternativas para enfrentar a situação atual. Uma das medidas apontadas no seminário foi a criação de um laboratório de estudo da violência. O próprio secretário de Governo da PJF, José Sóter de Figueiroa, apontou como uma das saídas a possibilidade de criação de um Conselho Municipal de Enfrentamento da Violência.
O certo é que Juiz de Fora está cansada de tanta morte sem sentido, fruto da intolerância, da proliferação do uso de armas na sociedade e de certa impunidade. A cidade precisa reagir à altura e não pode tolerar que estes números mórbidos continuem a desafiar os homens e as mulheres de bem. As polícias, os cientistas sociais, os pesquisadores, os poderes Executivo e Legislativo precisam encontrar um meio comum de interlocução e de criar medidas concretas para que a cidade volte a respirar com mais tranquilidade.
O momento é de ação e de reflexão. No momento em que a UFJF expande seus horizontes tanto aqui em Juiz de Fora quanto em Governador Valadares, na hora em que vereadores experientes e novos propõem medidas para enfrentar a criminalidade, quando novos secretários municipais mostram que é preciso transformação no rumo da cidadania e do crescimento com sustentabilidade, a cidade não pode dar um passo atrás e perder terreno para a violência. A OAB-JF vem debatendo a questão da violência com amplos setores da comunidade e espera que, juntos, o Poder Público e a sociedade civil encontrem o rumo para combater a violência e tornar Juiz de Fora mais segura.
