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Três árvores na Getúlio Vargas: o retrato de uma cidade que precisa se arborizar

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Pesquisa realizada pela professora Cássia Ferreira, do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA/UFJF), constatou uma diferença de até 9°C entre o centro da cidade e o Campus da Universidade, separados por apenas 5 km. É a denominada ilha de calor.

As árvores, por suas características naturais, proporcionam inúmeras vantagens aos munícipes, sob vários aspectos: promovem bem-estar psicológico; melhoram o efeito estético da paisagem urbana; oferecem sombra para pedestres e veículos; protegem e direcionam os ventos; amortecem os sons, amenizando a poluição sonora; reduzem o impacto da água da chuva e seu escoamento superficial; auxiliam na diminuição da temperatura; melhoram a qualidade do ar e contribuem para a preservação da fauna.

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Uma pesquisa desenvolvida pelo Laboratório de Estudos da Paisagem da UFJF mostrou que 94% das áreas urbanizadas de Juiz de Fora possuem Índice de Área Verde (IAV) inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 m² por habitante. O levantamento indicou, ainda, que, em 80% do município, a proporção de praças, parques, canteiros e jardins de uso público não superava um metro quadrado por habitante.

Por incrível que pareça, desde 2015, Juiz de Fora conta com a Lei Municipal nº 13.206/2015, que instituiu a Política Municipal de Arborização Urbana, constituindo-se em importante instrumento para o planejamento, a proteção e a expansão da arborização no município. Mesmo assim, passados 11 anos, o instrumento legal  ainda não foi  cumprido pelas administrações municipais. Ressalta-se, ainda, que o art. 26 dessa Lei estabelece a obrigação de elaboração do Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU). É digno de nota que, apesar da exigência legal, até o presente momento Juiz de Fora não dispõe desse importante e estratégico Plano de Arborização, evidenciando o distanciamento entre a legislação aprovada e sua efetiva implementação.

Outra questão relevante: o Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), já elaborado por uma equipe de especialista e  de posse da Prefeitura, em seu Plano de Ação consta que a prioridade seria a arborização  prevista para 2025. Infelizmente, a recomendação ainda não foi cumprida!

Por todos os ganhos e benefícios que a arborização proporciona à coletividade, a ausência dessa estratégia não pode ser vista como uma simples omissão administrativa ou uma questão meramente burocrática. Ela pode estar contribuindo para a manutenção e o agravamento de problemas que afetam diretamente a população juiz-forana.

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Omitir-se na arborização significa também deixar de utilizar uma das mais importantes ferramentas de adaptação climática disponíveis ao poder público municipal. Mais do que cumprir a lei, elaborar e implementar o Plano significa proteger a população, preparar Juiz de Fora para os desafios das mudanças climáticas e construir uma cidade mais saudável, sombreada, resiliente e ambientalmente equilibrada.

Recentemente, tive a oportunidade de visitar cidades de Portugal e da Itália. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi constatar como a arborização urbana é tratada como elemento essencial da cidade: em praticamente todas as ruas, as árvores estão presentes, contribuindo para o conforto térmico, a qualidade ambiental, a paisagem urbana e, sobretudo, para uma cidade mais humana e agradável para seus habitantes.

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Ao retornar a Juiz de Fora, o contraste é difícil de ignorar. Basta caminhar pela Avenida Getúlio Vargas, uma das mais importantes e movimentadas vias da cidade. Em uma simples observação, contei apenas três árvores ao longo da avenida. Três! Não é preciso nenhum estudo sofisticado para perceber a dimensão do problema. Quem quiser conferir, que vá até lá e constate pessoalmente.

Portugal e Itália nos mostram que é possível construir cidades mais verdes e humanas. A Avenida Getúlio Vargas, por outro lado, nos mostra o quanto ainda precisamos avançar.Que a constatação de apenas três árvores em uma das principais avenidas de Juiz de Fora deixe de ser motivo de indignação e passe a ser o ponto de partida para uma mudança concreta.

A cidade precisa de árvores. A população precisa de sombra. O clima exige adaptação. E a lei já determinou o caminho.

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Falta, agora vontade política para transformar a obrigação legal em ação concreta!

* Wilson Acácio é professor aposentado da Universidade Federal de Juiz de Fora e membro do Fórum Juiz-forano de Meio Ambiente, Emergência Climática e Território.

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