Um vídeo postado na internet na última semana revela a indignação de músicos da cidade – sobretudo compositores aguerridos para defender sua obra – frente à intervenção do poder público na agenda de apresentações ao vivo em alguns estabelecimentos comerciais de Juiz de Fora. Em matéria da repórter Marisa Loures, publicada na quinta-feira, 13 de setembro, no Caderno Dois, fica nítido o desequilíbrio da equação que coloca a irregularidade de algumas casas e a necessidade de cumprir o que diz a lei. Entretanto, é no meio desta trincheira que ficam os artistas que, ao saírem em defesa da manutenção da programação musical local, acabam, mesmo que despretensiosamente, mascarando o verdadeiro problema desta epopeia: a falta de informação e/ou recursos por parte de muitos gestores.
No tocante à localização, gostaria de ressaltar que pelo menos três dos estabelecimentos notificados estão localizados na região onde está o aeroporto, perímetro que, diferentemente do que acontece em bairros como Alto dos Passos e São Mateus – onde, sim, o burburinho dentro e fora dos bares incomoda muita gente -, é habitado por classes mais privilegiadas da sociedade, cujo poder de influência incide sobre a ação do Ministério Público. Porém, a questão vai além dos muros da área nobre da cidade.
Muitas agremiações carnavalescas, por exemplo, são impedidas de manter as portas abertas durante o ano por falta de documentação que legitima a execução de atividades em seu interior. Os dirigentes, é óbvio, apontam a falta de recursos como o principal obstáculo. Em média, são necessários cerca de R$ 80 mil para deixar a casa em ordem, quase 150% a mais do valor do recurso destinado à maioria para a realização dos desfiles no carnaval.
Independentemente do rumo que irá tomar, o debate, neste caso, parece a melhor saída. Por isso, faz-se necessário participar da audiência marcada para a próxima terça, na Câmara dos Vereadores. E, por que não, insistir pela representação do Ministério Público neste encontro? Afinal, entre o empresariado e o poder público encontra-se a sociedade civil e a classe artística, prontas para, com respeito à legislação e ao bem comum, usufruírem dos bens de consumo gerados a partir do que conhecemos da sociedade contemporânea.
