Num Estado democrático, cada um de nós, cidadãos, é responsável pela construção conjunta da sociedade que deseja. As leis que vigoram no país são, ou deveriam ser, o retrato da vontade do povo, representadas por pessoas que carregam consigo a responsabilidade de construir uma realidade melhor para todos.
Um dos princípios da democracia é a proteção da liberdade humana. Democracia então seria viver em uma sociedade livre, onde o povo tem o direito de dar sua opinião e participar das ações públicas, principalmente da política, tendo em vista que é através delas que o país se desenvolve.
Atualmente, um tema que já foi motivo de polêmica no passado retorna à discussão: a legalidade do voto secreto. Alguns defendem o voto secreto com a justificativa de que ele traz maior independência do Legislativo, evitando retaliações ou perseguições. Na minha opinião, independentemente do efeito do voto, o legislador tem a obrigação de demonstrá-lo, assumindo as consequências de sua decisão. O parlamentar assume um mandato pelos votos que recebeu, e passa a representar a vontade do cidadão que a ele confiou o voto. Nada mais justo que esse cidadão possa fiscalizar suas ações e posturas através do voto aberto. Na Câmara Municipal de Juiz de Fora, em nenhum momento utilizamos votação fechada.
Em votação secreta, o plenário da Câmara dos Deputados absolveu a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) do processo que pedia cassação de seu mandato, após a revelação de um vídeo em que ela aparece recebendo dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. O caso da deputada chamou a atenção de todos os brasileiros e foi um evento que causou indignação nacional.
O voto secreto muitas vezes significa farsa, e seu fim é uma forma de evitar a corrupção, por não permitir negociações. A abolição do voto secreto do parlamentar é hoje mais que um clamor popular; é, também, um apelo moral e ético. O voto aberto é a busca de uma sintonia com a sociedade democrática, uma forma de reaproximar a sociedade civil da gestão pública. Ironia ou não, quando for realizada, a votação para a instituição do voto aberto no Congresso será feita em sessão fechada. A população tem o direito de saber como vota o seu parlamentar, o que aumenta a transparência na gestão pública no Brasil, em nome do interesse público, da democracia, da transparência e do respeito à cidadania brasileira.
Ironia ou não, a votação para a instituição do voto aberto no Congresso será realizada em sessão fechada.
