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A CNBB e a corrupção

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A CNBB se posicionou na última sexta-feira, dia 22, sobre a ética pública, distribuindo uma nota e manifestando indignação e perplexidade da sociedade brasileira diante de fatos políticos e administrativos que contrariam a ética pública e o bem comum. Na nota, assinada pelos membros da presidência, cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, presidente; dom José Belisário da Silva, arcebispo de São Luís do Maranhão, vice-presidente e dom Leonardo Ulrich Steiner, bispo-auxiliar de Brasília e secretário-geral, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, manifesta, mais uma vez, sua grave preocupação com essas suspeitas de violação aos princípios da moralidade e da legalidade consubstanciados na Constituição Federal.

Lembram os bispos que em 1993 a CNBB questionava: Como não denunciar a grande criminalidade dos que desviam, em proveito pessoal, enormes somas dos órgãos públicos, provocando escândalo e revolta, muitas vezes impotentes, da parte dos humildes, a quem estavam destinados esses bens? Como não solicitar que os crimes mais graves sejam punidos e que a lei não seja severa apenas com os pequenos infratores, sem jamais atingir os poderosos e espertos? Como tolerar que a um grande número de denúncias comprovadas de corrupção e prejuízo dos cofres públicos não corresponda igual número de punições e ressarcimentos? A impunidade é um incentivo constante para novos crimes e novas violências (CNBB, Ética, Pessoa e Sociedade, n. 143, 1993).

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A sociedade brasileira espera e exige a investigação de toda suspeita de corrupção, bem como a consequente punição dos culpados e o ressarcimento dos danos. O que temos assistido, no entanto, parece apontar em direção oposta, quando muitos fatos, no passado e no presente, ficam sem solução e caem no esquecimento. Isso explica o crescente desencanto da sociedade com as instituições públicas. Os mecanismos que têm a responsabilidade de passar a limpo as corrompidas estruturas do país caem no descrédito e ficam desmoralizados, se não cumprem o papel a que se destinam. Nenhum outro interesse pode subjugá-los senão o do resgate da ética no trato com a coisa pública.

O documento encerra com um contundente pedido: Os que respondem diretamente por seu funcionamento – dos três poderes da República -, no entanto, nunca se esqueçam de que o poder que exercem provém da sociedade. Da mesma forma, o agente político se recorde de que é seu dever ultrapassar as fronteiras político-partidárias, as condicionantes de oposição-situação, para colocar-se a serviço do Estado e da sociedade, sem confundir jamais o público com o privado, o que constituiria grave ofensa à legislação e desrespeito à sociedade.

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