Nos tempos muito antigos, as autoridades supremas na Terra eram Roma e seu ostentoso império. César não possuía limites; seus desejos eram ordens cumpridas a todo custo. A soberba dominante gerou uma imensa gama de subjugados e abandonados, seres vivendo à míngua, cuja única esperança era o dia da morte, assim tudo tinha fim.
Em certo momento, entre animais numa fétida estrebaria, chegou ao mundo um menino, herdeiro das dores e dos abandonos do mundo, filho de uma jovem dona de casa e de um carpinteiro de mãos grossas, que nada possuía além de pequena matula que trazia pendurada junto ao corpo, contendo talvez um naco de pão endurecido.
O menino cresceu na carpintaria e com seu pai aprendeu, ganhou dores pelo corpo e mãos calejadas na rotina do ofício. Um dia, o menino, agora rapaz, deixou o todo nada que possuía e seguiu caminhando pelas terras dos césares e dos fariseus. À sua maneira ímpar e incomparável, secou os olhos molhados de dores, beijou a face dos abandonados, mostrando o caminho e o sentido verdadeiro da vida. Sorrindo entre palavras, alimentou de peixe e esperanças a massa humana que lhe cercava no Sermão do Monte.
Rapidamente sua vida teve fim, no mais breve e odioso julgamento em toda a história humana. Seu corpo tombado no colo de sua mãe Maria não significou o fim, mas o início de uma nova era. A esperança que Ele semeou proliferou aos quatro ventos, varrendo as misérias do mundo, erguendo a humanidade da condição de animal desgarrado ao patamar de ser espiritual em romagem de aprendizado no Planeta Terra.
Decorridos milênios do império dos Césares, séculos se dobrando sobre séculos, e a humanidade ainda continua enredada ao passado, esperando à moda dos antigos a chegada de alguém, um salvador que, num passe de mágica, a salve das dificuldades e dores resultantes de suas próprias ações.
Na Filosofia Espírita aprendemos que não existe milagre, porque esta vida ora vivida é uma de muitas já passadas e o prenúncio de tantas outras que virão. Passado e futuro, agora e aqui, encontram-se no presente como espíritos eternos que somos.
Jesus retornou à pátria espiritual. Entre nós, continua presente como Ele próprio disse: Não vos deixarei órfãos! Voltarei para vós! Mas aquele Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito (João, 14:15-18 e 26).
O Consolador não é uma pessoa, outro livro, um novo messias: é o Evangelho de Jesus redivivo puro e simples através da Doutrina dos Espíritos. De nada mais necessitamos para a nossa felicidade, além de estudar, aprender e exemplificar os ensinos Daquele que nos convoca a segui-lo, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.
