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Um bicho de quantas cabeças?

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Embora não seja notório ou generalizado, infelizmente a matemática ainda é o entrave de muitos alunos da educação básica. O índice exorbitante de notas abaixo da média e, consequentemente, de reprovações, dão conta desse panorama caótico brasileiro. Não me coloco, neste texto, como um portador de informações científicas acerca do ensino ou aprendizagem em matemática tal como as concepções e tendências confrontadas por teóricos da área. Além de considerar-me um professor entusiasta, comprometido e apaixonado pela matemática escolar, vejo-me, aqui, como um fomentador crítico de algumas ideias que envolvem o dia a dia dos que lidam com a matemática nas escolas.

Depois de 15 anos de experiência como professor em escolas diversas de Juiz de Fora, algumas situações são claramente perceptíveis. Digo, primeiramente, que a quantidade de cabeças no nosso bicho está intrinsecamente relacionada a dois fatores importantes: um deles é o fato de o aluno enxergar a matemática como ciência árida e sem aplicação. De acordo com alguns alunos, a maioria dos tópicos apresentados no colégio não tem validade e aplicabilidade no mundo real. O segundo fator está relacionado ao coeficiente de entusiasmo e motivação dos professores envolvidos no processo de aprendizagem. Se o professor não gosta da matemática ou do seu ofício, tampouco seus alunos gostarão. Isso é fato!

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Apesar de não conseguirmos converter todos os olhares e perspectivas dos alunos para a matemática enquanto desejo profissional, podemos, sim, professores e demais agentes responsáveis, criar um ambiente interativo, atraente e inovador para o estudo da matemática, sem se desvencilhar do tronco curricular que nos cerca, seja este para os vestibulares seriados ou até mesmo para o Enem.

No entanto, o aluno precisa perceber, além de qualquer outra coisa, que vale a pena aprender matemática e suas instrumentações, seja para resolver os problemas embrenhados no cotidiano, seja para obter sucesso nos vestibulares da vida. Assim, faz-se necessária a compreensão da matemática como um espaço conceitual e de linguagem, além da sua implementação como ferramenta de trabalho. O aluno, defronte a um problema, tem a oportunidade ímpar de relacionar-se com as suas próprias barreiras, e o estreitamento de todas as possíveis saídas para a solução do problema. Nisto, estar atento às aulas e dedicar-se todos os dias são ingredientes fundamentais para a construção de certa autonomia matemática.

Defendo, junto com tantos outros professores, a necessidade de um olhar mais crítico, abrangente e inovador para o contexto do ensino em matemática, mesmo que, ironicamente, concordemos que a quantidade de cabeças do bicho-matemática só o torna mais intrigante e interessante aos olhos dos amantes dessa ciência.

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