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Dia Mundial da Água

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Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, o dia 22 de março é a data em que se comemora o Dia Mundial da Água. Faz-se necessário e urgente que reflitamos sobre o fato inegável de que nenhuma questão atualmente, excetuando o coronavírus (Covid-19), é mais importante do que a da água. Dela depende a sobrevivência de toda a cadeia da vida e, consequentemente, de nosso próprio futuro. Ela pode ser motivo de guerra, mas também de solidariedade social e cooperação entre os povos. Devemos refletir a necessidade de se manter esse recurso disponível para os povos localizados em diversos pontos de nosso planeta.

Nesta data, é de grande relevância pensarmos a respeito da importância de preservar os recursos hídricos, principalmente os mananciais de abastecimento humano, para que se evite o que aconteceu recentemente na captação de água no Rio Guandu que, por falta de saneamento básico, afetou o abastecimento de água potável para mais de 12,8 milhões de pessoas residentes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

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Vivemos um momento de emergência e de grande mudança em nosso planeta. Os alertas chegam de diversos segmentos: da academia, das comunidades científicas, das Nações Unidas etc., quando já existe, inclusive, emergência climática e ambiental, incluindo a água. Como sabemos, o ciclo da água está diretamente ligado ao clima. Assim, mudanças climáticas aumentam os níveis de vapor de água na atmosfera e estão a tornar a disponibilidade de água menos previsível. Esta situação pode conduzir a chuvas torrenciais em algumas zonas – vejam o que aconteceu no mês de fevereiro no Sudeste brasileiro -, ao passo que, noutras áreas, como vem acontecendo em partes da Região Sul do Brasil, podem enfrentar condições de seca mais graves, mesmo durante os meses de verão.

Esses eventos climáticos afetam a oferta de água, ameaçando o suprimento de recursos hídricos para todos. Os números em relação à crise hídrica, ainda de acordo com a ONU, são assustadores: dos 7,7 bilhões de habitantes de nosso planeta, um bilhão não conta com mais abastecimento mínimo diário (20 litros); 1,6 bilhão vive em áreas que não tem condições mínimas de captação de água; já dois bilhões residem em regiões onde há escassez de água. Outros dados estarrecedores: há lugares onde 66% da população, durante um mês ao ano, tem escassez de água; mais de 3,5 bilhões de pessoas, daqui a pouco, viverão em condições de alto stress hídrico! Esta instabilidade no fornecimento de água impactará significativamente a economia de países em várias partes do mundo, causando vulnerabilidade social e política.

Na imprensa, nas redes sociais e nas ruas, especialistas, líderes mundiais, artistas, crianças, adolescentes manifestam e exigem medidas urgentes aos governantes para que haja tomada de posição em relação às questões ambientais. No ano passado, milhares de jovens, de mais de 20 países, foram convidados a eleger os problemas mais importantes da atualidade numa pesquisa encomendada pela Anistia Internacional. Foram apresentados 23 problemas, e as mudanças climáticas foram as mais citadas!

Coube ao sociólogo alemão Ulrich Bech a formulação da frase “Pensar globalmente e agir localmente”. Estamos preocupados, sim, com a água na escala mundial, como ficou demonstrado através dos números acima. No Dia Mundial da Água, é de fundamental importância que voltemos nossa atenção para o que estamos fazendo com os córregos, os ribeirões e com o Rio Paraibuna, que corta a área urbana juiz-forana. Isto é uma prova cabal do descaso e da irresponsabilidade dos governantes, dos empresários e também da sociedade com a água!

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