Muito se tem falado sobre trotes e calouros da UFJF – a favor e contra. Analisemos: o trote não é obrigatório e, portanto, bastaria que se evitassem os excessos. Não é feito nas dependências da UFJF – a responsabilidade é dos alunos acima de 18 anos e dos pais dos menores. É ilegal? Não, pois não existe crime sem cominação legal. É imoral? Também não, se não forem extrapolados os limites. Devemos então deixar por isso mesmo? Também não, pois o trote sempre existiu e sempre existirá. Do mesmo jeito que algumas religiões e organizações possuem um ritual de entrada, também para o vestibulando, o trote é o batismo para a entrada na universidade; marca o início de um período muito especial de sua vida. É o primeiro passo rumo ao caminho de sua profissionalização e independência financeira. É o bater asas inicial para um primeiro voo solo na vida – um passo para a ruptura do cordão umbilical que os liga aos pais.
Lembro que, quando chegava um novato no banco onde trabalhava, inevitavelmente um engraçadinho o mandava buscar a máquina de achar diferença ou a fita metálica para máquina Facit, e o novato fazia o mesmo com o próximo colega a chegar, e ninguém saía magoado por isso. Desde que o excesso não se torne a regra, não se deve acabar com um ritual tão antigo e esperado pelos calouros.
Maior erro é a universidade retirar de sua responsabilidade uma festa de tamanha importância para seus pupilos. Ao proibir o trote em suas dependências, a instituição está simplesmente lavando as mãos e deixando nas costas de uma turma de jovens, muitos deles adolescentes, a responsabilidade pelo trote. Transfere também para a Prefeitura a obrigação de limpar a sujeira deixada para trás pelos discentes.
Fosse o trote efetuado nas dependências da universidade, num espaço demarcado, sendo desautorizado o uso de bebidas alcoólicas (lógico que alguns iriam tentar burlar essa restrição, mas, uma vez flagrado com tal líquido seria facilmente dele despojado), com sistemas de vigilância e mestres ou responsáveis monitorando as brincadeiras, poderiam os pais e os amigos, tranquilamente, assistir às peripécias dos alunos e dificilmente alguma coisa sairia do controle.
