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O título deste artigo também poderia ser “A Lei de Moore no nosso chip”. A tal lei foi um conceito estabelecido por Gordon Earl Moore, um dos fundadores da Intel, em 1965. Ela estabelece que o poder de processamento dos computadores dobra a cada 18 meses. Essa teoria ainda pode ser considerada válida. O espantoso aumento da capacidade de processamento das máquinas é componente indispensável da revolução na comunicação digital que ocorreu nos últimos 15 anos. Saímos do telefone com fio, do fax e das TVs de tubo para o mundo da internet, do wireless e dos dispositivos móveis. Conexão de alta velocidade e mobilidade: essa é nossa realidade.

Usar a metáfora de que o e-mail substituiu a carta é o mesmo que usar o clichê da lâmpada acesa para representar uma ideia. Mas há, de fato, uma questão relevante a se considerar nessa mudança do mundo analógico para o digital. Equipamentos e conexões cada vez mais rápidos nos permitem processar um volume crescente de informações – agora também em formato de imagem, áudio e vídeo -, e isso abre inúmeras possibilidades criativas e de interação.

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Mas nossa evolução como espécie nem de perto acompanha essas mudanças todas. No tempo das cartas, tínhamos dias para responder. Podíamos reler e reescrever a resposta quantas vezes necessário. Esse tempo foi reduzido com o e-mail. Com ele, a resposta tem que vir em questão de horas ou antes, não mais de dias. Os novos meios de comunicação instantânea – WhatsApp, ICQ, SMS, Viber, Messenger, entre outros – são exatamente isso: instantâneos.

Agora, o tempo esperado de resposta é de poucos minutos, no máximo. Nem todas as respostas, no entanto, podem ou devem ser dadas em minutos. Essa pressão pelo instantâneo tem consequências. Uma delas é o fenômeno de abreviar os textos. Daí para escrever errado é um pulo. Mas o pior é que alguns acham que não há mal nenhum nisso.

Essa pressa é reflexo do nosso mundo, sempre em movimento. Repare que a maioria de nós está sempre fazendo pelo menos duas coisas. Dirigimos e falamos ao celular (com risco de acidentes), vemos televisão com o tablet no colo, comemos um lanche enquanto andamos e digitamos uma mensagem (sem prestar atenção na nossa saúde). Movimento e mais movimento, acelerados.

São raros os momentos em que nos permitimos fazer uma coisa muito importante: pensar. Mas pensar requer tempo e reflexão. Se você tem um minuto para responder uma mensagem, vai escrever o que primeiro vier à sua cabeça. Uma coisa é escrever “vamos ao cinema hoje?”, e a pessoa pode te responder “sim”, “não” ou “vou pensar”.

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E há pessoas que discutem a relação com namorado (a), os assuntos de trabalho, falam mal do chefe, etc., por meio desses canais. Tudo rapidinho e sem medir muito as consequências dessas palavras, cada vez mais abreviadas como o nosso tempo.

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