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Do fim ao começo

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A moda do momento é insistir naquela arcaica história de que o mundo vai acabar. É estarrecedor ver como a mídia, as instituições de massa, os órgãos intercontinentais e a própria produção cinematográfica se vendem por tão pouco.

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O planeta, assim como os seres vivos e as civilizações, surgiu há milhares de anos. A evolução do homem ao longo do tempo nos permite perceber que, ironicamente, a racionalidade deu espaço à insanidade e, consequentemente, ao retrocesso da humanidade. Hoje, a capacidade de pensar não nos torna superiores, apenas ratifica o quanto somos temidos.

Podemos dizer, sem o menor receio, que o mundo está acabando desde o primeiro instante em que o homem pisou na Terra. De lá para cá, acontecem guerras mundiais, bombas atômicas, devastações da fauna e flora, genocídios, enfim, atos inconsequentes, que fizeram do globo um verdadeiro apocalipse. O que realmente preocupa nisso tudo é ver como temos cultuado a hipocrisia, o materialismo e o individualismo em detrimento de sentimentos puros, intensos e munidos de autenticidade, na contemporaneidade.

Sejam religiosos sim, mas tenham a sua fé, acreditem naquilo que vocês acreditam, e não na palavra de oradores gananciosos, que têm feito de sua crença um repudiável comércio. E, principalmente, semeiem aquilo de que, independentemente de religiões, o mundo carece: amor, solidariedade, generosidade, perdão. Caminhar com a bíblia debaixo dos braços e ignorar, negligenciar e desprezar os problemas alheios, tão próximos de você, talvez seja o maior dos pecados. Sejam ambiciosos sim, mas sedentos pela constante transformação do seu entorno. Sejam consumistas sim, mas tenham a consciência do que você realmente necessita. Nos dias de hoje, precisamos precisar menos! Simples, mas com tamanha profundidade.

Finalmente, preocupe-se com o que você tem feito para tornar esse mundo um lugar melhor de se viver. Quanto ao seu fim, não envelheça em vão, nem perca tempo discutindo algo irrelevante; as próximas gerações aguardam que novas sementes sejam propaladas hoje, para que, futuramente, tenhamos um mundo pleno e mais humano, indiferente a previsões tão sórdidas.

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Em tempos remotos, dois expoentes do Iluminismo, Hobbes e Rousseau, afirmaram respectivamente: O homem é o lobo do homem e O homem nasce bom; a sociedade o corrompe. Esvaindo-se da intrepidez dos filósofos, indubitavelmente, o brilho nos olhos das crianças, seres isentos da corrupção social, nos faz acreditar que o amanhã pode ser diferente. Caso contrário, sejam quais forem as possibilidades, o homem precisará contar, mais do que nunca, com a capacidade de se reinventar.

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