Personalidade das mais importantes na literatura juiz-forana, evocamos a memória de Wilson de Lima Bastos, neste mês em que se comemora seu centenário de nascimento (7 de agosto). Autor de grande produtividade, destacou-se também como violoncelista da Orquestra Sinfônica de Juiz de Fora. Um dos seus mais ilustres filhos, não só pela sua ancestralidade como pela sua intensa participação na vida da nossa querida cidade, fez-se seu próprio editor ao constituir a “Editora Paraibuna”.
Falecido às vésperas da visita cultural que faria a Portugal, sempre mereceu dos membros da Associação de Cultura Luso-Brasileira respeito e reconhecimento. “Com fértil produção literária, que lhe endossou o título de autor mais fecundo no mundo cultural juiz-forano, o escritor Wilson de Lima Bastos viveu imerso na sobriedade que o caracterizava.” Assim nos disse a saudosa escritora Creusa Cavalcanti França – “Cumpriu seu percurso de vida, servindo ao nobre ideal cultural. Viveu como prescrevera: em absoluta consonância com a advertência que sempre fizera – a de não se omitir”.
É mister recordar a homenagem ao professor Wilson de Lima Bastos promovida pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, na noite de 12 de outubro de 1978. Ele, com seu livro “Na sombra das aroeiras”, conquistara o Prêmio Joaquim Nabuco, da Academia Brasileira de Letras. Votos de louvor, declamação de poemas e trechos em prosa da obra premiada, pelos associados, dentre eles, a irmã do homenageado, poetisa Carmem Sylvia Bastos Barbosa, abrilhantaram o evento, juntamente com o violonista Mozart Couto Cataldi e sua esposa, Violeta Cataldi, a quem acompanhou em números de canto.
Entrevistado após a sua oração de agradecimento, o professor Wilson de Lima Bastos assim se manifestou a respeito da homenagem de que fora alvo: “No dia 29 de junho, na solene sessão da Academia Brasileira de Letras, após as palavras do ilustre acadêmico Américo Jacobina Lacombe e de haver recebido de suas mãos o certificado do prêmio que tanto me honra e desvanece em ambiente de tamanha grandeza e significado, grande e inesquecível foi a minha emoção. Agora, depois desta homenagem impregnada de ‘confraternura’ que a Associação de Cultura Luso-Brasileira me há prestado, devo deixar bem claro e bem positivo que ainda maior foi a emoção que de mim se apossou. Na minha terra, que tanto amo e que tem sido uma das razões de ser de minha vida, no meu contexto cultural, social e afetivo, a homenagem enfeitou o meu coração de homem simples e modesto, mas realmente sensível. Se já não bastasse o fato de ser homenageado pela casa mãe das associações culturais – a Associação de Cultura Luso-Brasileira -, há a considerar a presença, as palavras cheias de calor humano e as atenções que tanto me distinguiram a ilustre presidente, professora Cleonice Rainho Thomaz Ribeiro, consagrada escritora e poetisa juiz-forana”.
