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Tecnologia na medicina

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O Brasil é o terceiro país do mundo em mercado de saúde privada e o quinto que mais emprega em saúde pública. Contudo, o investimento está aquém do necessário. Na saúde suplementar, o financiamento está cada vez mais difícil, e, na contramão das fontes financiadoras, empresas e pessoas físicas, as tecnologias estão infinitas. A supertecnificação da medicina, representada pelas órteses, próteses, materiais especiais, medicamentos e equipamentos de alto custo, associada às transições epidemiológica e demográfica, desafia a difícil missão de proporcionar assistência médico-hospitalar de excelência a custos compatíveis.

Dados mostram que 60% da alta dos gastos em saúde estão relacionados à tecnologia médica e que 50% dos tratamentos utilizados hoje não existiam há dez anos. Estes custos crescentes desequilibram os orçamentos. Em 2012, por exemplo, as operadoras de planos de saúde do Brasil fecharam o ano com a maior sinistralidade dos últimos 12 anos: 85%. Em cifras, isto significa que dos R$ 92,7 bilhões arrecadados pelo setor, R$ 92 bilhões foram para pagar custos e despesas assistenciais. Então, qual seria a solução?

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Para gerenciar este risco em saúde é inadiável mudar paradigmas. É urgente um movimento rumo ao resgate da relação saudável entre hospitais e operadoras, com o envolvimento do médico e da indústria com seus distribuidores, para que sejam preservados o equilíbrio financeiro das partes, a assistência de qualidade ao cliente e a melhor remuneração profissional. Saúde não tem preço, mas assistência médica tem, e altíssimo.

Somente na saúde, o uso de novas tecnologias não reduz custo: é cumulativo. A assimilação acrítica e a rápida incorporação de tecnologias, sem avaliação rigorosa quanto à segurança, eficácia e aos custos, conduzem aos abusos. Estima-se que apenas 50% das intervenções médicas foram avaliadas com metodologia sistematizada de bom nível e que menos da metade mostrou-se efetiva.

Médicos, gestores ou não, são o principal elo entre operadoras de planos de saúde, rede prestadora, indústria farmacêutica e o cliente. Cabe a quem detém o conhecimento e a prática a responsabilidade ética de aceitar, de mudar ou rejeitar tecnologias criticáveis e, sobretudo, humanizar o atendimento.

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