A recente reunião realizada em Brasília, envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB), o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) e a cúpula estadual de seus respectivos partidos, deixou evidente a todos a envergadura do projeto político que aproxima tais lideranças. A reeleição de Márcio Lacerda como prefeito de Belo Horizonte é um importante objetivo, porém deve ser interpretada como etapa intermediária em um caminho traçado para levar Aécio e Campos até as eleições presidenciais de 2014.
Dois pontos devem ser destacados, entretanto, em meio aos fatos divulgados pela imprensa, por serem capazes de alterar decisivamente os planos de Aécio Neves e Eduardo Campos.
O primeiro desses pontos está relacionado com os demais objetivos que, como preparação para 2014, Aécio e Campos devem buscar cumprir. A construção de uma grande base de apoio política, através da eleição de numeroso contingente de prefeitos e vereadores aliados, constitui um desses passos lógicos a serem dados. Porém, tal atitude significa um desafio frontal não só ao esforço de expansão do PT pelo Brasil – agora, capitaneado diretamente pelo ex-presidente Lula -, como também à vasta estrutura partidária do PMDB – agremiação com o maior número de filiados do Brasil (2,3 milhões, em junho de 2011). Assumir uma aliança tão ampla, mais de três anos antes das eleições de 2014, torna a pré-chapa presidencial de Aécio Neves e Eduardo Campos um alvo bastante vulnerável às demais forças políticas nacionais. Será indispensável, assim, que a aliança entre PSDB e PSB mantenha a iniciativa política, construindo posicionamentos e articulações que coloquem os adversários sob a constante pressão de terem que reagir. Enfim, uma tarefa bastante complexa.
O segundo aspecto a ser considerado é relativo ao contexto interno do PSDB, marcado por uma tensa atmosfera de tranquilidade desde que Aécio Neves expandiu em muito sua influência no partido, em convenção nacional realizada em maio. Derrotado em 2002 e 2010, o paulista José Serra não deu sinal de desistência em relação às suas pretensões presidenciais futuras, mantendo também silêncio em relação às articulações para o pleito municipal de 2012. É preciso acompanhar com atenção o cenário político paulista, palco de acontecimentos de grande impacto, como a persistente rivalidade entre José Serra e o governador Geraldo Alckmin, e o advento do novo PSD, chefiado pelo prefeito da capital Gilberto Kassab (alçado ao cargo inicialmente como vice de Serra, em 2004). Tais forças locais podem contribuir para fortalecer – ou enfraquecer – decisivamente a posição de José Serra no contexto partidário, algo de vital importância para o futuro de Aécio Neves.
Considerando o momento inicial em que se encontra a aliança entre Aécio e Campos, são esses os dois grandes desafios que há pela frente. O futuro próximo dirá quantos mais estão à espreita, prontos a impedir a consolidação desta nova articulação regional da política brasileira.
