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Aprendamos a cultivar as virtudes

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Nos últimos dias, tivemos o privilégio histórico de presenciar um fato pouco comum na história da Igreja Católica: a renúncia de um Papa. O fato, anunciado pelo próprio Papa no dia 11 de fevereiro, consumou-se no dia 28 do mesmo mês.

O mundo inteiro pôde assistir, através dos mais variados meios de comunicação, aos momentos da renúncia e da eleição do novo Papa, Francisco, no dia 13 de março.

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Tais fatos poderão, com o tempo, se confundir e cair no esquecimento, como ocorrem com os casamentos reais, os shows de entrega do Oscar, as finais de Copa do Mundo, as Olimpíadas, as posses de presidentes, sem falar nas tragédias que tanto ocupam as telas da TV. O que vimos deve propiciar a todos uma reflexão sobre os abundantes exemplos de virtudes que nos ofereceram seus protagonistas.

Santo Tomás de Aquino, no Tratado sobre as Virtudes, questão 55, nos ensina que as virtudes funcionam como motores na função de aperfeiçoar o homem. Consideremos, pois, os exemplos de virtude revelados na atitude de Bento XVI ao renunciar, reconhecendo que é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado.

Em pleno exercício de seu mandato apostólico, esse gesto representou para nós, além de profunda humildade, outro grande exemplo de fortaleza, pois nem sempre é fácil reconhecer nossa fragilidade e expor-nos ao julgamento dos que nos cercam.

Por outro lado, ao se apresentar na sacada de São Pedro, o Papa Francisco ofereceu-nos um ramalhete de virtudes. Suas expressões de piedade, de modéstia, de simplicidade, de fraternidade e de desprendimento nos encantaram. Na condição de bispo de Roma, em saudação despretensiosa, dita apenas em italiano, convidou os irmãos para uma caminhada por um mundo mais fraterno.

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O pedido de oração silenciosa por si e seu antecessor, a vestimenta despida de pompa, o apelo à fraternidade, a singela invocação da Mãe de Deus pela Ave Maria revelaram aos católicos e ao mundo que novos tempos se anunciam. Não deixemos cair no esquecimento tais exemplos de virtudes de que tanto carecemos. Esforcemo-nos por colocá-las em prática no nosso cotidiano, transformando nossas vidas e fazendo um mundo melhor.

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