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Laboratório sobre violência

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Quando criei o Laboratório de literatura, fui convidado para instalá-lo no Masp, em São Paulo. Durante dois anos, trabalhamos com dezenas de intelectuais de toda a América Latina sobre o fazer e o pensar literário. Daí, frutos como o Museu de Literatura de São Paulo Monteiro Lobato, os livros de Ely Vieitez Lanes e a ampliação para o Laboratório em Ribeirão Preto. O mesmo conceito experimental, de pesquisa, observação e, extrapolando, no fluxo de irrigação, abstração e concretude, estudo e alquimia de transformação do si mesmo e do mundo, a proposta-estudo que desemboca na minha tese de doutoramento, baseada em atividade intensa na mídia, nos campos arte/ciência, expressa em entrevista na Folha de S. Paulo: Contudo, há uma entrevista, ‘o divã da periferia’, com o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg, que pode servir como uma passagem que, a seguir, fecharia o foco sobre questões exclusivas ao campo da psicanálise. Nesta entrevista, Jacob Pinheiro Goldberg defende a ideia de se ‘levar o divã’ às regiões periféricas das grandes cidades, através da Igreja, de sindicatos e associações de bairro.

A jornalista Sônia Regina Nabarrete salientava, no início da entrevista, que o Brasil precisa deitar no divã e falar de suas angústias. Mas como conseguir isso se a psicoterapia é um privilégio de classes abastadas, e grande parte da população ganha salário mínimo? (…). Esta entrevista é crucial, porque ela colocava na ordem do dia a questão, em que se aprofundaria posteriormente, entre a perspectiva individualista e coletivista da psicanálise, segundo Marco Chaga.

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E então, fui procurado pelo prefeito Mário Covas para levar a psicanálise até a periferia e os cortiços de São Paulo. Na Penitenciária de Campinas, um dia com os presos de mãos dadas, cantando Geraldo Vandré na tela da Globo, outro movimento transportado de observador-observado, sujeito-objeto (Comissão Justiça e Paz), Igreja Católica, Cecê Afonso Ferreira. Na cena da emoção, em livros e palestras, a mulher arrebentada, a criança que é maior e não menor na sublime inocência, o índio (Feitiço da Amerika), o homossexual (Don’t let me die) – Instituto Emílio Ribas, o negro, o judeu que sou, e, sempre, o pobre, no contextual sadomasoquismo da política e da cultura da opressão, é que miro na minha cidade de nascimento, Juiz de Fora, a construção de uma utopia de esforços na releitura vizinha do indispensável e do possível.

Como lembrei num debate com Márcio Thomaz Bastos (O Direito no divã – Editora Saraiva): Caim matou Abel e não morava em favela. Que o Laboratório de estudo da violência, fruto do Seminário sobre violência urbana, que acontecerá em março, organizado pela Câmara Municipal, OAB-JF, Prefeitura, UFJF e pelo Instituto Vianna Júnior tenha um caráter local e cosmopolita, acadêmico e comunitário. Enfim, a consciência sublimando a violência.

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