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O Papa e as reformas

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Uma antiquíssima expressão em latim usada nos primórdios da Igreja diz que “Ecclesia semper reformanda”, ou seja, a Igreja está sempre em estado de reforma. Esta reforma certamente “não pode abarcar nem o conceito essencial nem as estruturas fundamentais da Igreja Católica. A palavra reforma seria mal usada se a empregássemos nesta acepção” (Papa Paulo VI: Encíclica Ecclesiam Suam n° 23). Não se deve esquecer que “subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje, e para sempre” (Concílio Vaticano II: GS n° 10).

Segundo o Papa Francisco, “devemos cuidar de reformar todos os dias a Igreja, porque somos pecadores, somos fracos e haverá problemas”. Aqui, o Papa se refere ao elemento humano da Igreja, que subsiste ao lado do seu elemento divino. Sendo assim, humana e divina, a Igreja Católica só pode ser corretamente compreendida à luz da fé, porque na sua realidade visível está presente e operante uma realidade espiritual, divina, que se percebe somente com os olhos da fé.

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Referindo-se às notícias dos dias passados, que surpreenderam muitos fiéis a propósito de documentos roubados da Santa Sé e que foram publicados com a intenção de transmitir a ideia de que na Cúria romana só existe corrupção, o Papa Francisco reagiu assim: “Por isso, quero lhes assegurar que este triste fato não me distrai certamente do trabalho de reforma que estamos realizando com os meus colaboradores e com o apoio de todos vocês. Sim, com o apoio de toda a Igreja, porque a Igreja se renova através da oração e da santidade de todo batizado. Portanto, agradeço a vocês e peço que continuem a rezar pelo Papa e pela Igreja, sem se deixarem turbar, mas indo para a frente com confiança e esperança” (Oração do Ângelus em 8/11/2105).

Aqui, parece-me oportuno recordar também as seguintes palavras de Francisco ditas no Brasil: “Quanto à Cúria romana, ela sempre foi criticada, às vezes mais, às vezes menos. A Cúria se presta a críticas, e, como tem que resolver muitas coisas, de algumas coisas as pessoas gostam, de outras, não. Alguns trâmites estão bem direcionados, outros estão mal enfocados, mal direcionados, como em toda organização. Eu diria isto: na Cúria romana, há muitos santos. Cardeais santos, bispos santos, sacerdotes, religiosos, leigos santos. Gente de Deus, que ama a Igreja. Isso não aparece. Faz mais barulho uma árvore que cai do que um bosque que cresce” (Papa Francisco: entrevista ao repórter Gérson Camarotti).

Um mês depois de ser eleito Papa, e sem negar a existência de irregularidades e escândalos presentes na Cúria romana, o Santo Padre Francisco nomeou uma comissão de oito cardeais, um de cada continente, para reformar a Cúria no sentido de corrigir irregularidades.

Assim, “a Igreja que reúne em seu seio os pecadores é, ao mesmo tempo, santa e sempre necessitada de purificação, sem descanso, dedica-se à penitência e à renovação” (Concílio Vaticano II: LG n° 8).

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A atitude de um autêntico católico é a de confiar no trabalho do Papa, sem se deixar levar por notícias sensacionalistas, que muitas vezes escondem objetivos anticlericais.

Santo Agostinho, nascido no ano 354, pôde dizer que a Igreja “continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”.

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