No mês de agosto, mês vocacional, a Igreja convida seus membros a refletir sobre a vocação: ordenada, matrimonial, consagrada ou laical. A última semana é dirigida aos leigos. Aproveitando de recente presença do Papa Francisco, vamos procurar discernir nos seus pronunciamentos a missão específica dos leigos, jovens e adultos, na Igreja.
Chegando ao Rio, o Papa deixou claro o objetivo de sua visita: Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Cristo bota fé nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: ‘Ide, fazei discípulos’. Na Vigília, o Papa convidou os jovens a serem missionários e explicou, a partir da imagem do campo da fé, o que é ser missionário. O campo é lugar onde se semeia: a semente é a palavra de Deus semeada nos corações para germinar e crescer. O campo é como um lugar de treinamento para estar em forma, enfrentar sem medo todas as situações da vida e dar testemunho da fé. O campo é como um canteiro de obra: Peço que vocês sejam protagonistas da História, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietudes sociais e políticas que se colocam em diversas questões do mundo.
Na missa do envio, o Papa resume sua mensagem em três expressões: Ide, sem medo, para servir. Ide anunciar o Evangelho, a Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam. Sem medo: vocês não estão sozinhos, a Igreja os acompanha, e o Cristo vai a vossa frente e os guia. Para servir: evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Cristo, significa servir, levar a força de Deus para extirpar e destruir o mal, a violência para construir um mundo novo. Na despedida, as últimas palavras são dirigidas aos jovens: Queridos jovens, Jesus Cristo conta com vocês, a Igreja conta com vocês, o Papa conta com vocês! Deus vos abençoe por tão belo testemunho de participação viva, profunda e alegre nestes dias! A partir do testemunho de alegria e de serviço de vocês, façam florescer a civilização de amor. Mostrem com a vida que vale a pena gastar-se por grandes ideais, valorizar a dignidade de cada ser humano e apostar em Cristo e no seu Evangelho.
Para desempenhar sua vocação laical, os jovens cristãos precisam do apoio e do testemunho dos adultos. O Papa Francisco quer uma Igreja aberta ao mundo, mais simples, uma Igreja que vai ao encontro dos mais pobres, uma Igreja atenta às periferias existenciais, uma Igreja com coragem de assumir o hoje que lhe cabe, uma Igreja capaz de derrubar as estruturas caducas, uma Igreja marcada pela ampla participação dos leigos nos conselhos em todos os níveis, superando clericalismo e funcionalismo. Ora, a Igreja sonhada pelo Papa só acontecerá com leigos mais atuantes. Eis a vocação, a missão do laicato cristão!
