Aécio será o presidente nacional do PSDB a partir de sábado, dia 18, quando a legenda realiza convenção em Brasília. Bom, mas isto não significa que os tucanos terão, enfim, conseguido a unidade necessária para que tenham algum sucesso eleitoral. Ao contrário, a legenda chega à convenção sem uma banda. É a paulista que chega inteiramente dividida por uma briga que não fica bem num bando de senhores.
A divisão, se fosse em um bando de escolares na primeira idade, talvez se explicasse, mas em senhores, já avançados nos anos e bem calejados nas pelejas políticas, não tem qualquer sentido. No centro da crise está José Serra, que ninguém pode negar ser um dos mais competentes homens públicos do país, mas que parece não ter se apercebido de que na vida tudo tem seu tempo. E o dele, no que se refere a um projeto presidencial, já passou.
Na vida pública, mais difícil do que entrar é saber o momento certo de sair. Serra precisa entender que ainda tem muito a oferecer ao país, mas, dentro de um projeto de poder do PSDB, que ajudou a criar, é carta fora do baralho. É preciso renovar. Se Aécio é a melhor opção, o tempo dirá. Só se sabe que, eleitoralmente, Serra está inviabilizado para uma disputa presidencial.
Estranho que ele não tenha percebido isto. Se percebeu e, mesmo assim, alimenta esta dissidência partidária, está negando todo o seu passado político. Os que conhecem o ninho tucano garantem que o problema de Serra com Aécio é muito mais pessoal do que político. E uma razão pessoal, qualquer que seja, não pode ser colocada acima do interesse do partido. Serra não pode tocar fogo no partido por causa de desavenças pessoais, quaisquer que sejam elas. Se não for à convenção junto com seu grupo, estará selando, desde já, o futuro do PSDB. Não apenas o futuro de Aécio.Vaidade e intolerância, como tudo na vida, têm limites.
