Santa e pecadora nossa Igreja, santos e pecadores todos nós, temos, desde a última quarta-feira, um novo Pastor. O conclave elegeu o cardeal Jorge Mario Bergoglio, que escolheu o nome de Francisco, para ser chamado como Papa. A escolha do nome de Francisco já foi um sinal de grande alegria e esperança para todo o Povo de Deus. Remete a São Francisco de Assis, o Poverello (pobrezinho). A escolha de um nome pelo Papa já é em si um programa para o pontificado. Como sabemos, Francisco era um jovem de família abastada, que deixou todo o conforto da casa de seus pais, entregou-se à pobreza, à vida humilde, à vivência radical da fraternidade e da sororidade, ao amor a todas as criaturas e à natureza. Com essa postura, tornou-se o modelo de cristão para todos nós, mesmo passados tantos séculos. Importante também lembrar que Francisco, por viver antes de todas as divisões do cristianismo, é um nome que une todos os cristãos, e não apenas os católicos, além de ter estabelecido interlocução com o Islã.
Além de ter escolhido esse nome, o Papa também chamou atenção ao ir à janela para ser apresentado aos fiéis na Praça de São Pedro, vestindo simplesmente sua batina branca, sem nenhum paramento ostensivo ou luxuoso. Iniciou sua fala aos fiéis chamando-os de irmãos e irmãs, como Francisco o faria. Antes de dar a sua benção, urbi et orbe, pediu que o povo o abençoasse, e, enquanto assim o povo o fazia, prostrou-se em enorme reverência.
Ao tomarmos conhecimento de sua biografia no dia seguinte, descobrimos que é um homem de vida simples, que abandonou o Palácio Episcopal para morar num singelo apartamento, que se desloca em transporte público e que prepara suas próprias refeições, não sendo servido por ninguém. No primeiro dia de seu pontificado, foi em peregrinação à Igreja de Santa Maria Maggiore, demonstrando sua entrega à Mãe de Deus, indo pessoalmente quitar sua hospedagem de durante o conclave.
Adolfo Perez Esquivel, militante dos direitos humanos na Argentina, que por essa atuação recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1980, declarou que o então jesuíta Jorge Mario protegeu perseguidos na ditadura militar daquele país, ao contrário do que alguns órgãos de imprensa noticiam.
Podemos sentir no ar um cheiro de retorno às origens e à pureza do cristianismo primitivo e original. Oremos para que Espírito Santo de Deus arme uma tenda sobre Francisco, para o bem de todos os cristãos e da construção do Reino.
