Ícone do site Tribuna de Minas

Aos mestres com carinho

PUBLICIDADE

É perceptível a crise por que passa a educação no Brasil e no mundo. Os exemplos são vários: revolta iniciada com estudantes no Chile em defesa da gratuidade da educação pública, greves nas redes federais, estaduais e municipais da educação pública pelo Brasil… Os professores de Minas Gerais permaneceram por 113 dias em greve e continuam em alerta para garantir a aplicação da lei federal de um modesto Piso Salarial Nacional e por melhores condições de trabalho. Além disso, são incontáveis os casos de agressão a educadores divulgados nas mídias e outros tantos casos de arrombamento e furto nas escolas que, algumas vezes, não são registrados. Cristãos ou não, estamos vendo e sofrendo com essa situação.

PUBLICIDADE

O Documento de Aparecida do Episcopado Latino-americano chama a nossa atenção sobre a função da escola na formação de crianças, adolescentes e jovens. É necessário insistir no autêntico fim de toda escola, chamada a se transformar, antes de mais nada, em lugar privilegiado de formação e promoção integral, mediante a assimilação sistemática e crítica da cultura, fato que consegue mediante um encontro vivo e vital com o patrimônio cultural. Isso supõe que tal encontro se realize na escola em forma de elaboração, ou seja, confrontando e inserindo os valores perenes no contexto atual(D. Ap n° 329). Família, escola e sociedade têm responsabilidade na educação. Ela humaniza e personaliza o ser humano quando consegue que este desenvolva plenamente seu pensamento e sua liberdade, fazendo-o frutificar em hábitos de compreensão e em iniciativas de comunhão com a totalidade da ordem real. Dessa maneira, o ser humano humaniza seu mundo, produz cultura, transforma a sociedade e constrói a história(D, Ap. 330).

Nesta responsabilidade comum a todos, os educadores têm papel importante e insubstituível. Por isso, o magistério sempre foi considerado uma nobre vocação. Hoje ele está se tornando uma difícil e corajosa missão. Os trabalhadores em educação merecem nossa admiração, mas também esperam nosso engajamento de cidadão e cristão. Rompermos o silêncio diante desta situação, superarmos nossa experiência defasada é um primeiro passo para termos compaixão aos educadores e estudantes que têm direito a uma educação pública de qualidade. Além disso, é tarefa nossa exigir dos governantes que cumpram o preceito constitucional à organização social e sindical, que não usem de mecanismos de coerção para inibir ou impedir que as demandas de educadores e estudantes sejam reivindicadas; que o respeito ao direito a um salário decente com a aplicação do piso em sua integralidade seja praticado; que valorizem a carreira docente, representada pelo incentivo à formação e pelo reconhecimento do tempo de serviço. Unindo-nos aos mestres nesta busca fundamental de direitos e recursos para uma educação de qualidade, daremos-lhes prova de nosso agradecimento. Com carinho, nossos afetuosos parabéns no seu dia!

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile