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Carta a JF

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A Legislação Eleitoral que aí está, maldosa e propositadamente, cria enormes dificuldades para quem, fora do exercício de um mandato, pretende concorrer a quaisquer eleições, sobretudo às eleições para a Câmara Municipal, que, como sabemos, são as mais difíceis e onerosas. Mais de 500 candidatos concorrem pelos mais de 25 partidos políticos, os quais, juntos, formam a orgia partidária instalada no país com o ânimo da perpetuidade, principalmente depois da Constituição Federal de 1988.

Os custos financeiros de uma campanha eleitoral, por conseguinte, tornaram-se muito altos, e o sistema de eleições não é democrático, mas injusto, pois o tempo no horário gratuito de propaganda eleitoral de rádio e TV não é igual para todos os concorrentes. Isso, além de criar facilidades enormes para os que estão no exercício de um mandato e se candidatam à reeleição, cria enormes dificuldades para os que estão fora do poder e querem ter a chance de participar do processo, animados pelo legítimo desejo de contribuir com a vida da comunidade como um todo.

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Os candidatos ricos fazem campanhas milionárias, com recursos próprios e/ou impróprios! Os que – ricos ou remediados, não importa – não têm compromisso com os valores da seriedade consubstanciados numa conduta moral e ética – própria dos que têm caráter e comportamento ilibados – aceitam o patrocínio financeiro de empreiteiras de obras públicas, às quais, por antecipação, se rendem de forma vergonhosa e cretina. Fazem isso na busca desenfreada de conquistarem o poder pelo poder. Esses candidatos – que têm estado presentes em todas as eleições Brasil afora -, quando eleitos, mesmo sendo competentes, acabam não tendo atuação satisfatória e decepcionam, porquanto, por um raciocínio lógico, na ânsia desenfreada de conquistar os respectivos mandatos, venderam sua alma ao demônio e passaram a ficar com o rabo preso nas gavetas dos cofres dessas empresas que financiaram suas campanhas eleitorais suntuosas, mas vazias de conteúdo ideológico e ético!

Felizmente, porém, apesar das dificuldades, ainda é possível reverter situações como essa! Para tanto, basta que tenhamos consciência cívica e estejamos dispostos a encarar o nosso direito de voto como sendo um irrecusável e intransferível dever de votar direito! Como? É simples assim: não anular o voto e nem votar em branco, mas comparecer às urnas para votar em candidatos que prestam! Vale dizer: comparecer e votar em candidatos que tenham uma história de vida digna e honrada, na certeza de que, estes, em geral, são os que não ostentam grandeza aética fazendo campanhas milionárias, mas vazias e poluentes!

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