Desde que se iniciou, a partir dos anos 60 do século passado, o que se denominou, em jargão economês, de erradicação dos ramais improdutivos, o Brasil assiste, desolado, à inexorável morte do trem. Passo a passo, trilhos foram sendo arrancados, localidades foram largadas à mercê de uma cultura rodoviária que matou o passado, empobreceu o presente e não lhes abriu as portas do futuro.
Se a condenação desse meio de transporte fosse universal, remédio amargo para doença incurável, justificativas – ou tentativas de – poderiam inundar todos os possíveis espaços de comunicação, transmitindo a sentença definitiva. Não é o caso, porém. Em contraste com a infeliz determinação de eliminar de nossa paisagem os caminhos de ferro, a porção industrializada do planeta aprimorou-os. Os trens em que podemos viajar na Europa, Estados Unidos, Japão e outras latitudes desmentem julgamentos que se ancoram solitariamente em estatísticas econômicas, em detrimento de reflexões sociais, e condenam à falência esse sistema de transporte confortável, econômico e que, de quebra, não compromete os esforços de valorização ambiental. Quem neles continuou investindo se deu bem.
Essa reflexão, admito, não tem nada de nova, mas reaviva a velha esperança de que possamos ter, de novo, trens como transporte urbano em Juiz de Fora. Os mais jovens talvez se espantem com a expressão de novo. Sim, talvez não saibam que os tivemos, entre Matias Barbosa (de onde boa parcela da população trabalha em Juiz de Fora) e Benfica.
Felizmente ainda temos os trilhos e, melhor, trens rodando sobre eles. Não há nenhum exercício nostálgico nessa perspectiva. Tão somente senso prático. Vejam, a MRS, que explora o transporte de carga na faixa de território que abriga o município, tem-se revelado parceira amiga da cidade em outros campos – do Tupi, na manutenção de áreas marginais ao Paraibuna e em programas sociais – e não se negaria, certamente, a sentar-se à mesa para discutir um projeto empresarial que, envolvendo a ferrovia e a municipalidade, possibilitasse esse retorno.
Juiz de Fora, no mínimo, agradeceria essa discussão.
