Ainda estão bem vivas na memória as imagens do trágico incêndio na esquina da Avenida Getúlio Vargas com Floriano Peixoto, que se abateu sobre vários imóveis onde, há pouco mais de três meses, se localizavam um conjunto de lojas, um edifício de sete andares e dois sobrados. A tragédia serviu para que o foco do panorama de destruição se fixasse também em outro prédio, na proximidade, na esquina em frente aos imóveis sinistrados felizmente a salvo das chamas. De um valor histórico inestimável e precioso, especialmente para a história da Escola de Engenharia de Juiz de Fora, o imóvel abrigou, até 1960, os vários laboratórios dos cursos de engenharia.
Quando o presidente JK, em 1960, criou a UFJF, os cursos de engenharia transferiram-se para a Rua Visconde de Mauá, onde hoje funciona o Colégio João XXIII, antes de se fixar, como todas as faculdades, definitivamente no campus universitário. Desde então, o prédio construído em 1894 (portanto, uma das obras de engenharia mais antigas da cidade), passou a abrigar inúmeras atividades até ser destinado à sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
Passam-se os anos, e a bela edificação entra em decadência física, sem nenhum cuidado, com a sua fachada e seu interior a ponto de adquirir um aspecto de abandono e de decadência enfeando a cidade, o que não condiz com a sua história.
Chamá-lo de patinho feio da UFJF é uma triste imagem que o diminui, em contraste com a beleza majestosa e admirável que cerca o campus da UFJF, sob a excelente administração do reitor Henrique Duque.
Que bela iniciativa seria a recuperação da sua fachada, dando-lhe tintas que o remocem, e a restauração de seu interior, prevendo espaços culturais, dedicados à preservação de objetos e documentos históricos – especialmente os que contam a gloriosa história da Escola de Engenharia de JF, desde o início de suas atividades no longínquo 17 de agosto de 1914. E o DCE, ali alojado, em precárias condições físicas, haverá de encontrar espaços (que não faltam no campus da UFJF), para a sua sede mais próxima e ao alcance das necessidades dos milhares de estudantes dos diversos cursos.
É esta a ideia que se propõe aqui, modestamente. A esquina da Floriano Peixoto com a Getúlio Vargas, breve, estará novamente de pé, com construções modernas, retomando as suas atividades. Tomara que o velho e bonito prédio da UFJF venha fazer parte desse novo panorama, embelezando a cidade e ostentando orgulhosamente uma placa em bronze que registrará a sua importância ao ensino e à cultura de Juiz de Fora. Afinal, construir o futuro no presente, reverenciando o passado, é uma das primeiras anotações que os alunos de engenharia registram em seus cadernos nas primeiras aulas do curso.
