De acordo com a fé católica, deve-se distinguir três possíveis destinos do homem após a morte: céu, purgatório e inferno.
1°) Céu: O céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva. Essa vida perfeita e eterna junto de Deus e dos justos é chamada de céu. Segundo o apóstolo Paulo, o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam (1 Coríntios 2,9). A contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela teologia católica de visão beatífica. A fé nos faz degustar como por antecipação a alegria e a luz da visão beatífica, meta de nossa caminhada na terra. A eternidade já alegra o tempo! A fé já é, portanto, o começo da vida eterna.
2°) Purgatório: Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja denomina purgatório esta purificação final, que é completamente distinta do castigo dos condenados. Apoiando-se em certos textos bíblicos (1 Coríntios 3,15; 1 Pedro 1,7; Mateus 12,32), a Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao purgatório, sobretudo no Concílio de Florença (ano 1438) e de Trento (ano 1545).
3°) Inferno: As afirmações da Bíblia e os ensinamentos da Igreja acerca do inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua liberdade em vista de seu destino eterno. Seguindo o exemplo de Cristo, a Igreja adverte os fiéis acerca da triste e lamentável realidade da morte eterna, chamada também de inferno. Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado de Deus para sempre, por nossa própria opção livre. É este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os justos que se designa com a palavra inferno. Jesus fala muitas vezes da Geena, do fogo que não se apaga, reservado aos que se recusam até o fim de sua vida a crer e a se converter, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo (Marcos 9,43-48; Mateus 25,41). Ao descrever o juízo final, Jesus deixa claro que os bons irão para a vida eterna, e os maus, para o suplício eterno (Mateus 25,46). No Concílio de Orange II (ano 529), a Igreja declarou que Deus não predestina ninguém para o inferno. A Igreja também ensina que, quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. A Bíblia diz que os homens devem morrer uma só vez (Hebreus 9,27). Portanto, não existe reencarnação depois da morte (Catecismo da Igreja Católica n° 1.013). Assim, cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num juízo particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na alegria do céu, seja para se condenar de imediato para sempre.
