As pesquisas divulgadas no fim de semana, novamente dando empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, acenderam mais uma vez uma luzinha vermelha no Planalto e o presidente convocou uma reunião de emergência no Alvorada, com seus assessores de campanha e membros do governo, sem participação da imprensa.
O novo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, apareceu apreensivo e com toda razão pois a cada nova consulta popular há a indicação de queda da popularidade do presidente e aumento de reprovação de sua administração. O governo, é bem verdade, ainda tem “muito chão” pela frente para reverter o quadro, apesar de todos os erros que vem cometendo. Não nos esqueçamos de que o governo é, em qualquer situação, a vítima, ou em alguns casos, o beneficiário de situações com as quais não tem qualquer relação.
Agora, por exemplo, o governo Lula é atingido pela Guerra no Oriente |Médio que mexeu na economia e no bolso dos brasileiros provocando o aumento da rejeição. O fim das hostilidades no Oriente Médio certamente trará melhoras na economia beneficiando o governo que vai readquirir alguns pontos de aprovação. Mas tem as questões internas, como as denúncias de corrupção envolvendo o governo e a radicalização política que ainda divide o país. Mas o que atinge Lula pode atingir também seus concorrentes, inclusive o até agora principal deles, Flávio Bolsonaro, ainda não afetado pelos malfeitos que, dizem, fez no Rio de Janeiro e que certamente serão explorados na campanha.
Numa eventual queda de Flávio, surge o nome de Ronaldo Caiado, candidato do PSD, que pela segunda vez tenta chegar a presidente da República. Para muitos, Caiado é, de todos os candidatos lançados, ou que se lançaram até agora, o mais preparado e com posições políticas mais claras. Caiado fez um bom governo em Goiás e se apresenta como um candidato “de direita”. Certamente vai crescer durante a campanha e é sim, uma ameaça clara a Flávio Bolsonaro no primeiro turno e a Lula num eventual segundo turno.
E não se pode desprezar o ex-governador de Minas, Romeu Zema, hoje na “lanterna” nas pesquisas entre os que têm alguma chance de crescer e chegar ao segundo turno. E ele faz questão de lembrar que quando iniciou sua campanha ao governo de Minas, sua primeira experiência política, era “lanterninha” também. Venceu e foi reeleito. Por que não repetir esta trajetória? Claro que agora é bem diferente e tudo indica que Lula será reeleito para o quarto mandato. Por enquanto, é bom que se diga, pois a campanha, na realidade nem começou.
Temos muito tempo e uma Copa do Mundo de Futebol pela frente antes que o brasileiro comece mesmo a pensar em eleição. Aliás, o ex-governador Hélio Garcia dizia que, campanha mesmo, só depois da Parada de Sete de Setembro. Por enquanto os candidatos, exceto o presidente, este em campanha contra os desgastes de governar, estão rodando Brasil afora para se apresentarem ao povo.
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