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Ficamos menores sem o Sócrates

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O jeito de ser e de viver do Sócrates merece registro. Pelo que fez no futebol e fora dele. Como jogador, na minha humilde opinião, como diria o Pedro, meu filho, nada de anormal afirmar que ele foi um ‘cracaço’ de bola. Um grande jogador, literalmente. Artista que fazia poesia com os pés.

Um doutor dos passes certeiros e chutes fortes. Sem falar de sua marca registrada: os passes de calcanhar que trouxe para o futebol. Na vida fora dos campos, eu não o conheci. Embora na minha fantasia de adolescente, nas peladas de rua, até pela nossa semelhança de estatura física, eu me inspirava no seu comportamento jogando bola: principalmente no seu inconfundível e muito próprio modo de comemorar o gol. Como uma estátua – com um braço erguido no ar, em punho fechado, e o outro, preso às costas. Diferente e único.

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Como eu imagino que ele comandasse sua vida. Eu sou daquele tipo de fã que, se conhecer o artista, ou quem eu admiro, de perto, perde a graça, desaparece o encanto. Eu quero ser um eterno fã: ele lá e eu aqui. Então, vida pessoal de outra pessoa, como nos faz crer a grande mídia, não me interessa, não me diz respeito. Eu quero cuidar da minha. Só que no dia-a-dia, quando alguém famoso morre, todo mundo quer dar opinião, fazer comentários, criticar e, principalmente, julgar e condenar.

Como foi com o Sócrates. Como uma pessoa culta, um médico bem articulado socialmente, pode morrer assim, de cirrose? Como se nós escolhêssemos morrer. Como diria outro que gosto, o Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é(genial). Como Sócrates dando um passe de calcanhar! Eu não sei nada da vida. Só digo que o Brasil, com a saída do Sócrates, perde uma grande figura humana. E ficamos menores sem o Sócrates. O impagável doutor Sócrates, que jogou muito pouco no Flamengo. Uma pena!

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