A nova campanha, relacionada às alegadas novas revelações que o empresário Marcos Valério poderia fazer em torno do chamado mensalão, tem um forte cheiro de armação. Quem se favorece com essa campanha de maledicências? Quem pretende barganhar tais novas, e bombásticas, revelações, beneficiando-se, de maneira imprópria e ilegal, pelo programa de proteção a testemunhas e tentando um acordo de delação premiada? Valério não é testemunha, mas réu, afirmou um famoso advogado criminalista, não cabendo a ele o benefício de um programa voltado a testemunhas. Valério pretenderia também reduzir a pena a que já foi condenado no processo em curso no STF (mais de 40 anos de prisão) ou mesmo propor a mudança do regime de sua execução, de fechado para semiaberto.
A chance desta nova tentativa de escandalizar o processo do chamado mensalão ter êxito parece pequena. Há notícias de declarações de ministros do STF e de procuradores do Ministério Público que minimizam esse noticiário, desconfiam de seus motivos e chegam a sugerir que ele pode tumultuar o fim do julgamento da Ação Penal 470.
Se o julgamento do chamado mensalão mirou, infrutiferamente, a eleição municipal de 2012, os olhares da direita voltam-se agora para 2014 e 2018, quando estarão em jogo a Presidência da República, os governos estaduais e os mandatos legislativos. A eleição deste ano revelou um claro declínio eleitoral dos conservadores e uma tendência à esquerda, progressista e democrática no eleitorado.
A direita mal esconde seus temores na avaliação que fazem dos resultados da última eleição. Estão preparando a tomada do Palácio de Inverno, disse, em um debate pela internet, um notório, e raivoso, comentarista da direita, comparando as vitórias eleitorais progressistas no Brasil à tomada revolucionária do poder pelos bolcheviques, na Rússia, em 1917.
Lula foi vitorioso na disputa pela reeleição, vitória repetida em 2010 com a eleição de Dilma Rousseff. Há um caminho atapetado para as forças progressistas, democráticas e populares, rumo a 2014 e mesmo a 2018, e este é o fantasma que assombra a direita.
