Tudo que é vida no reino animal ou vegetal está sujeito a sofrer algum tipo de dor. Os vegetais expostos ao ambiente terreno sofrem com as múltiplas intempéries climáticas, evoluindo e garantindo a preservação das espécies. Os animais sujeitos às lutas pela sobrevivência se embaraçam nos embates corporais das quentes savanas às geladas estepes, suprindo as necessidades de cada espécie.
Já o ser humano, este distraído animal vagando pelas cidades de todas as proporções, vem, ao longo de sua história através dos tempos, escrevendo um texto de sofrimento, fazendo parecer que a dor é o nosso destino incontestável. Muitos sofrimentos são de fato uma expiação, uma reparação das falhas cometidas em algum lugar do passado, mas essencialmente a dor é uma lei de equilíbrio e educação. A dor física produz sensações; o sofrimento moral produz sentimentos, ensina o escritor espírita Léon Denis.
O filósofo grego Epiteto afirma: As coisas são apenas o que imaginamos que são. O que de certo modo significa que vemos e sentimos segundo nossa vontade e tendência; logo, a dor e o seu oposto – o prazer – estão mais em nosso íntimo que no exterior. Assim sendo, não está a espécie humana fadada ao sofrimento. Sendo ela detentora de inteligência, bom-senso, livre arbítrio e uma instigante vontade de se melhorar, cada um pode incumbir-se de uma nova autoeducação: a regulação de suas sensações, dominando algumas emoções mais contundentes e disciplinando outros sentimentos.
Dominar uma e outra é limitar-lhes os efeitos, é diminuir a dor. Para tanto, um elemento é de fundamental importância – a força de vontade. Esta, que é a maior de todas as potências humanas, quando em ação, compara-se a um ímã, que atrai para seu núcleo outras forças que aumentam sua potência, criando um círculo virtuoso, ampliando nossa vontade de viver e desenvolver em nós a vida. Também desperta novos recursos vitais que atuam com intensidade sobre nosso corpo fluídico, ativando no corpo biológico vibrações e sensibilidades que nos permitirão perceber as mais elevadas sensações. Consequentemente, a visão que temos do mundo será gradativamente alterada pela compreensão das divinas leis que regem este e todos os planetas, assim como a dor, que ainda hoje é de dificílima compreensão, será entendida como instrumento necessário para a evolução, uma necessidade de ordem geral, um agente de desenvolvimento. E todos, sem exceção, na justa medida que abraçar a força de vontade para vencer a si mesmo, enfrentarão algum tipo de dor, suando o corpo e esforçando-se em espírito para quebrar o círculo de sofrimento, tornando-se capaz de encontrar virtudes ocultas onde nada aparentemente existe.
Suprimir a dor é a mais árdua das lutas íntimas, mas certamente a supriremos, porque Deus nos dotou da força de vontade e do livre arbítrio para traçar o destino que Jesus nos legou. E que ele nos ilumine as emoções para combatermos o bom combate.
