Tenho acompanhado atentamente as discussões em torno da candidatura majoritária dentro do PMDB e sinto-me no dever de prestar esclarecimentos perante a opinião pública e de me manifestar segundo meu entendimento.
O PMDB de Juiz de Fora vem discutindo internamente a possibilidade de candidatura própria há aproximadamente um ano. Foram inúmeras reuniões ocorridas quinzenalmente, muitas delas com a participação de mais de cem filiados. Nesse período, foi realizado o trabalho de montagem de uma chapa completa de vereadores, a discussão e a elaboração de um plano de governo alternativo ao que está posto hoje na cidade, por uma cidade humana e sustentável econômica, social e ambientalmente, com mais de dez grupos de trabalho temáticos que discutiram: saúde, mobilidade urbana, segurança, educação, política social, esporte e lazer, empregabilidade, participação popular, orçamento participativo, habitação, desenvolvimento econômico, meio ambiente etc.
Em março, a proposta estava desenhada por muitas, muitas mãos. Discutimos em torno de um programa, e não em torno de nomes. O nome surgiu, naturalmente, de quem participou ativamente das discussões, de uma liderança emergente no partido: vereador por três vezes, o vereador mais votado da história de 162 anos de Juiz de Fora, presidente da Câmara Municipal, relator da CPI que baniu da Prefeitura alguém que fez muito mal à nossa cidade, único deputado estadual do PMDB por Juiz de Fora – o segundo mais votado no estado, com 38 anos de idade (Itamar foi prefeito com 36, Mello Reis com 38, e Tarcísio foi candidato pela primeira vez com 41), com mais tempo de filiação ao PMDB do que a nossa presidente Dilma tem de PT. O nosso partido, o maior do país, com o maior número de prefeitos e vereadores, motivo o qual fez com que Michel Temer se tornasse o vice-presidente da República, não pode prescindir de candidatura própria, ainda mais em se tratando de uma cidade com mais de 600 mil habitantes. O diretório nacional assim o quer, o diretório estadual assim o quer, o diretório municipal assim o quer, a militância assim o quer, os 29 pré-candidatos a vereador assim o querem. A cidade clama por renovação.
Particularmente, não tenho nada contra o PT, e podemos ser aliados num eventual segundo turno. Estive lá na sua fundação e lhe fui filiado por alguns anos. Tenho as minhas convicções ideológicas que muito se aproximam da linha programática do PT. Diga-se de passagem, fui decisivo no apoio do PMDB à candidatura do PT à Prefeitura de Juiz de Fora, no segundo turno em 2008. Naquela época, não discutimos ser vice à chapa do PT.
A questão é outra. É de método, é da forma como o processo se realiza. Não podemos negar a nossa história e a nossa tradição, e virar as costas para todos que tiveram envolvidos até agora. Só isso. Foi e é uma construção coletiva, e não a luta pelo poder, custe o que custar. Ganhar e perder faz parte da vida e do jogo político. Quem não já ganhou e não já perdeu na vida? Mas, temos que ter coerência e transparência. Não pode ser o "Homem um lobo do próprio homem", como dizia Thomas Hobbes.
