Ao realizar um giro pela cidade de Juiz de Fora, podemos perceber os grandes investimentos que vêm sendo realizados no mercado imobiliário. Para todo lado, edificam-se prédios com fins comerciais e residenciais, sem falar nos empreendimentos do programa Minha casa minha vida, do Governo federal. Mas, no meio do caminho, surge uma pergunta: para que e para quem estão voltados esses investimentos?
Diz o adágio popular que dinheiro chama dinheiro, e, na linguagem marxista, o capital reproduz continuamente o capital. Ao certo que esse movimento dos investidores no mercado imobiliário tem endereço: consome espaço quem tem condições de consumi-lo e, de acordo com a nossa história – de colônia portuguesa a república -, os privilegiados sempre foram os donatários, depois os fazendeiros, os pecuaristas e, pontualmente, alguns ex-escravos e camponeses que conseguiam uma parcela de terra através de doação ou compra. Estes representavam uma margem modesta de acesso à terra, visando apenas à sua subsistência e à manutenção dos laços familiares.
Hoje vamos encontrar seus descendentes sendo chamados de massa desenraizada e espoliados, lutando ainda por uma porção de terra e resistindo ao poder dominante dos latifundiários. Renova-se a cidade, com prédios modernos, arquitetura e tecnologia de ponta, sem falar no conforto voltado, claro, para aqueles que têm poder de compra. Por outro lado, mantêm-se as velhas relações sociais de submissão e de exclusão ao acesso aos bens e serviços para a maioria da população brasileira.
De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a maior demanda habitacional vem das famílias que recebem menos de dois salários mínimos, os quais representam 83% da necessidade habitacional no Brasil. Apesar de existirem financiamentos para programas habitacionais voltados para famílias de baixa renda, um dos obstáculos de acesso são as linhas de crédito estabelecidas pelas instituições financeiras. Assim como antes, continuam fora do processo de consumo do espaço os pobres negros, os índios e os mestiços, e a estes resta viver em risco, produzindo favelas ou, modernamente falando, assentamentos precários e expondo suas vidas às doenças e às catástrofes naturais. Vale dizer que essa história não começou hoje, apenas é o resultado de uma construção social de uma elite oligárquica que sempre priorizou seus interesses em detrimento da maioria.
