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Jesus de Nazaré, revolucionário?

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Nesta semana da Páscoa, celebramos, com alegria, a Ressurreição de Jesus. É também um convite à reflexão: os dois outros crucificados foram condenados porque eram ladrões, e Jesus, será porque era revolucionário?

A tese de que tenha sido um revolucionário político, por mais atrativa que seja, se baseia em ditos cujo sentido é mais metafórico que literal: “Não penseis que vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, mas a espada”(Mt 10,34), contrariados por várias outras passagens em que o discurso se mostra muito mais claro e direto: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos difamam”(Lc 6, 27). No deserto, Jesus rejeita todo poder e riqueza. As ações do Galileu – ensinar, curar, dialogar com toda gente, escolher discípulos em todas as camadas sociais – não são as de um revolucionário.

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Tampouco a tese de que Jesus seria um revolucionário religioso tem forte sustentação. Todas as suas contestações ao judaísmo são feitas na forma habitual dos judeus, pela argumentação em que contrapõe, por exemplo, a lei do sabbatao direito à vida: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). Além disto, seguir por este entendimento seria desconsiderar a continuidade que Jesus representa na história da Revelação: “Não penseis que vim revocar a lei ou os profetas. Não vim revocá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17); representa o movimento reformador em curso no seio da própria religião judaica.

Se Jesus não revoluciona nem a política nem a religião, em que se sustenta sua atuação e sua influência? Ele foi, efetivamente, um revolucionário, mas são os valores que ele subverte! Por revolução deve-se entender uma inversão de força dos grupos sociais, e é exatamente isto que Jesus faz no seu discurso e nas suas ações: valores antes atrelados a uma elite são colocados ao alcance dos pobres.

Assim, quatro grandes valores passaram por uma revolução com Cristo. A paz, antes confundida com o direito dos reis de declararem guerra, em Jesus, torna-se obra de todos e que confere o título de “filho de Deus” (Mt 5,9) aos que nela se engajem. A clemência, antes virtude dos príncipes e juízes que poderiam decidir sobre a vida e a morte, em Jesus, se estende a todos, com retoques evidentes (Mt 5, 44). A generosidade também se torna um ideal para todos, por mais modesta que seja a forma com que se concretize (Mc 12, 44). E a sabedoria, antes virtude dos reis judeus, herdeiros de Salomão, é atribuída ao próprio Jesus, ele, um “mero” filho de carpinteiro (Mc 6, 2-3).

Esta inversão dos valores se condensa na imagem do Reino de Deus e daqueles chamados para dele participar: os pobres, as crianças, os estrangeiros, as mulheres. Este Reino, como indica a oração do Pai Nosso, é obra divina, aos homens cumpre seguir os ensinamentos de Jesus. Acrescentando a esses valores o respeito à vida, à dignidade do ser humano e a solidariedade, especialmente aos mais pobres, temos um programa de vida para o Tempo Pascal.

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