Ícone do site Tribuna de Minas

Abandono de obra modernista

PUBLICIDADE

O Marco do Centenário de Juiz de Fora, na Praça da República, é uma das relíquias da arte moderna brasileira, mas pouco tempo depois de ser restaurado e entregue novamente à comunidade, em meados de 1999, voltou a ser atingido pelo vandalismo de uns inconsequentes que se escondem como torcidas organizadas e também pela falta de conservação e de vigilância por parte do Poder Público. Em 31 de maio próximo, o ícone pioneiro do modernismo a céu aberto no Brasil completará 61 anos abandonado e novamente alvo de vandalismo.

A obra traz o primeiro mosaico modernista em vidrotil em praça pública no país, projetado pelo saudoso engenheiro e arquiteto Arthur Arcuri, em 1949, e foi inaugurada em 31 de maio de 1951, um ano após a celebração do centenário da cidade. O monumento pioneiro contribuiu para a afirmação do modernismo no Brasil, ao ostentar desenho criado em 1950 pelo mestre Di Cavalcanti. Uma das referências modernistas brasileiras a céu aberto, o marco foi tombado pelo patrimônio cultural do município, em 1996, e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2001, cinco décadas depois de sua inauguração na Praça da República. Após ampla campanha, sua primeira restauração foi finalizada em 1º de julho de 1999. Agora, às vésperas de completar 13 anos de sua recuperação, o marco, que simboliza o pioneirismo industrial de Juiz de Fora, encontra-se novamente pichado por vândalos, apresenta perda progressiva de pastilhas brancas e azuis de seu revestimento, o leito d’água que contorna o mural está inexplicavelmente desativado, e a obra tombada não recebe proteção da Guarda Municipal, servindo de abrigo e de banheiro público para moradores de rua.

PUBLICIDADE

Mesmo sendo reconhecido por sua importância histórica e pelo pioneirismo do mosaico do Marco do Centenário de Juiz de Fora, o abandono, o esquecimento, o descaso e o vandalismo prevaleciam até meados da década de 1990, quando uma série de reportagens da Tribuna, e em jornais nacionais, despertou a comunidade para a degradação do monumento pioneiro do modernismo a céu aberto. Isso desencadeou uma ampla mobilização e possibilitou o resgate da documentação da época da construção do marco. A mobilização contribuiu para a articulação do movimento que conquistou o tombamento municipal, em 23 de dezembro de 1996, a sua restauração, finalizada em 1º de julho de 1999, e o tombamento federal pelo Iphan, em ato assinado pelo então ministro da Cultura, Francisco Weffort, publicado em 16 de abril de 2001 no Diário Oficial, reconhecendo o seu pioneirismo.

Em parecer defendendo o tombamento nacional, a conselheira Angela Gutierrez ressaltou que o Marco do Centenário, para além de um monumento celebrativo, torna-se obra precursora na concepção modernista em arte mural em mosaico, em praça pública, no Brasil e deve ser preservada.

Mas somente os tombamentos não foram suficientes para impedir que o vandalismo e o abandono voltassem a atingir o monumento e o marco. Resta a Juiz de Fora lutar novamente para que a memória histórica da cidade não seja descartada, como vem acontecendo com muitos símbolos da antiga cidade pioneira da industrialização.

Sair da versão mobile