O ano de 2012 destaca-se por um conjunto expressivo de datas comemorativas, sendo uma delas particularmente cara para Juiz de Fora: o centenário da inauguração do busto-monumento de Mariano Procópio no Largo do Riachuelo, fato ocorrido em 12 de maio 1912. Amanhã, completa seu primeiro século de existência, e, espantosamente, como um dos poucos monumentos da cidade que permanece intocável no local originalmente escolhido para tal. Daquela demonstração de reconhecimento pelo trabalho e pelas ideias de Mariano Procópio foi que Alfredo Ferreira Lage percebeu a receptividade da cidade à memória de seu pai, decidindo-se pela transferência e instalação de suas admiradas coleções no município – as quais acabaram por originar o Museu Mariano Procópio.
Homenagem idealizada em 1908, por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o busto-monumento foi fundido na capital francesa pelo escultor parisiense Joseph-Louis Enderlin, e, curiosamente, traz a data de 1911 em uma de suas placas. Em junho de 1909, noticiava-se que a região do Largo do Riachuelo, limítrofe entre dois núcleos urbanos existentes, seria embelezada com um jardim (projeto de João Lustosa de Souza, paisagismo de Vicente Zanela e obras realizadas pelo construtor Luiz Perry). Para tanto, Alfredo Lage doaria ao município uma ampla porção de terras para esse fim, que, inclusive, possibilitaria a ampliação da Avenida Rio Branco em direção ao bairro conhecido hoje como Manoel Honório. Houve uma preocupação, não apenas com o busto em si, mas também com o entorno do monumento. Desse modo, além de oferecer ao juiz-forano a possibilidade de apurar seu gosto estético, o busto-monumento de Mariano Procópio passou a ser também o suporte material para a construção e permanência da memória coletiva sobre o passado.
O busto público representa a construção de uma memória de passado heroico, celebrativa do grande empreendedor que foi Mariano Procópio, o maior propulsor do progresso, não só desta cidade como do estado de Minas (assim registrou o Lar Catholico em suas páginas, em 1908, quando a ideia foi lançada). A produção do busto gerou um roteiro de memória, uma vez que Lage acabou por encomendar a cunhagem (também em Paris e depois no Rio de Janeiro) de uma medalha de bronze – de autoria do gravador húngaro Tony Antoine Szirmaï -, comemorativa do feito e distribuída para diversas personalidades e órgãos de imprensa local e nacional. Essa medalhas celebrariam, documentariam e evocariam, em bronze, a memória coletiva de uma importante personagem do passado. Tudo isso gerou repercussão na imprensa nacional e, obviamente, na local.
No ato inaugural, discursaram o deputado federal J. Pandiá Calógeras, que, em nome do povo, ofertou o monumento oriundo, parcialmente, de subscrição popular. Depois discursou Oscar Vidal, que o aceitava em nome do município.
